Enquanto as tradicionais pesquisas de intenção de voto, como as do Datafolha, seguem no centro do debate político, uma revolução silenciosa já transforma as campanhas eleitorais no Brasil. O uso de inteligência artificial (IA) e a análise de grandes volumes de dados, conhecidos como big data, estão redefinindo as estratégias para conquistar o eleitorado, tornando as ações mais rápidas e personalizadas.

A mudança é impulsionada pela capacidade de processar em tempo real milhões de interações em redes sociais, notícias e buscas online. Com isso, os comitês de campanha conseguem entender as preocupações, o sentimento e o comportamento de diferentes segmentos da população de uma forma que as pesquisas por amostragem não conseguem capturar com a mesma agilidade.

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Contudo, o cenário de 2026 não é um campo aberto para o uso irrestrito dessas tecnologias. Em uma decisão histórica de março, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) regulamentou o uso de inteligência artificial nas campanhas, estabelecendo limites claros para partidos, candidatos e plataformas digitais. A resolução proíbe explicitamente o uso de 'deepfakes' para criar conteúdo falso e prejudicial, além de exigir que todo material gerado ou manipulado sinteticamente seja claramente rotulado para o eleitor.

Essa abordagem permite que as equipes identifiquem tendências emergentes, assuntos de maior interesse e até mesmo o impacto de um discurso ou debate quase instantaneamente. A partir dessas informações, as mensagens são ajustadas para dialogar diretamente com as dores e expectativas de cada grupo de eleitores.

As novas ferramentas das campanhas

Na prática, diversas tecnologias já estão sendo aplicadas para otimizar os esforços eleitorais. O objetivo é ir além do marketing de massa e criar uma comunicação quase individualizada, que gere maior conexão com o candidato e suas propostas.

Uma das principais aplicações é o microdirecionamento de anúncios. Com base em dados de navegação, localização e interesses, as plataformas digitais exibem propagandas específicas para públicos segmentados. Um eleitor preocupado com segurança pública em uma determinada cidade, por exemplo, pode receber um conteúdo diferente de outro focado em pautas de meio ambiente. Conforme as novas regras do TSE, qualquer conteúdo multimídia gerado por IA para esse fim deve ser explicitamente rotulado como tal.

Outra frente de atuação é a análise de sentimento. Ferramentas de IA monitoram publicações no X (antigo Twitter), Facebook e Instagram para medir a percepção pública sobre um candidato ou tema. Isso fornece um termômetro constante sobre a recepção das propostas e permite corrigir a rota da campanha rapidamente.

Chatbots e assistentes virtuais também ganham espaço. Eles são usados em aplicativos de mensagens para responder a dúvidas frequentes, distribuir materiais de campanha e mobilizar a base de apoiadores. A automação permite escalar o contato direto com milhares de eleitores simultaneamente, algo impossível de ser feito por equipes humanas. No entanto, todas essas ferramentas devem operar dentro dos limites estabelecidos pela Justiça Eleitoral.

Apesar do potencial, o avanço da IA também acende um alerta sobre os riscos à integridade do processo eleitoral. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o próprio TSE identificaram as campanhas de desinformação e a manipulação de conteúdo como desafios críticos para a segurança das eleições de 2026. O grande desafio é equilibrar a inovação tecnológica com a necessidade de transparência e a proteção contra a manipulação de eleitores.

Essas tecnologias permitem que os comitês eleitorais otimizem recursos, direcionando verbas e esforços para as áreas e públicos mais estratégicos. As estratégias deixam de se basear apenas em fotografias periódicas do eleitorado para se apoiarem em um monitoramento contínuo e detalhado do comportamento online.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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