Especialista lança livro sobre IA e o trabalho human
Piero Franceschi lançou 'O trabalho de ser humano', durante o RH Leadership Festival 2026, em São Paulo
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No livro O trabalho de ser humano, que acaba de ser lançado pela Editora Gente, Piero Franceschi, CEO da StarSe, discute o papel da inteligência artificial enquanto impulsionadora de uma transformação profunda na forma como entendemos o trabalho e a própria função do ser humano nas organizações
Durante participação no RH Leadership Festival 2026, realizado nos dias 26 e 27 de março, em São Paulo, Franceschi explicou que a humanidade passou décadas sendo treinada para trabalhar como máquinas. “Fomos educados dentro de um modelo de comando, controle e racionalização do trabalho, inspirado no Taylorismo. O trabalho significava previsibilidade, repetição e entrega de tarefas previamente definidas”, disse.
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Para ele, esse modelo entra agora em colapso diante da expansão acelerada da inteligência artificial e do desinteresse das pessoas por esse tipo de tarefa. Com formação em marketing, gestão de negócios e semiótica, o especialista afirma que ele, inclusive, fez uso da IA no desenvolvimento de seu livro para apoiar as revisões. Assim, pôde dedicar-se ao conteúdo e com menos detalhes durante a escrita.
Durante o evento, que reuniu lideranças de gestão de pessoas de todo o país, Franceschi provocou a audiência com uma questão central: “Se as máquinas passam a executar melhor as atividades operacionais e burocráticas, o que resta ao humano?”, questionou.
A inteligência artificial não representa apenas uma mudança tecnológica, mas uma ruptura cultural. Há três anos, ele conta que acompanha o avanço da IA e sustenta que estamos entrando em uma fase de inevitabilidade: não se trata mais de escolher se as empresas adotarão inteligência artificial, mas de decidir como farão isso. “Todas as empresas do mundo terão frentes estratégicas com IA. Não adianta negar. O melhor caminho é pensar: ‘Deixa eu ser o primeiro’.”
NOVAS COMPETÊNCIAS
Trabalhos repetitivos e operacionais tendem a ser substituídos e redesenhados. Então, o que resta para o humano são novas competências baseadas em experimentação, aprendizado contínuo e criatividade. O Fórum Econômico Mundial, em seu relatório sobre o futuro do trabalho, aponta essas competências humanas como as de maior crescimento. ]
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“Não existe futuro do trabalho para quem não aprender inteligência artificial” e o trabalho precisa ser reconstruído porque perdeu sentido. Esse é um dos argumentos centrais do livro. Antes mesmo da inteligência artificial, o trabalho já vinha se tornando um espaço de desgaste e perda de significado. Hoje há um cenário de desinteresse crescente das pessoas pelas organizações, associado à repetição de tarefas pouco criativas e à ausência de pertencimento. “A IA não cria essa crise. Ela revela essa crise.”
O futuro do trabalho depende de uma reconexão com aquilo que torna a experiência profissional significativa, o que Piero Franceschi chama de três dimensões do trabalho humano que permanecem insubstituíveis. São eles:
Desafio: a humanidade evoluiu porque enfrentou o desconhecido. O trabalho precisa voltar a provocar superação e exploração de novas fronteiras.
Descoberta: a atividade profissional deve permitir inventividade, experimentação e aprendizado contínuo, reduzindo o peso da burocracia e ampliando o espaço para criação.
Diálogo: a construção de sentido no trabalho depende do encontro entre repertórios diferentes. O diálogo, inclusive com fricções e divergências, é fundamental para gerar inovação e transformação.
ÉTICA COMO TERRITÓRIO HUMANO
As máquinas não fazem julgamento moral e elas não são dotadas de senciência, capacidade dos seres vivos de experimentar sensações e sentimentos de forma consciente, incluindo dor, prazer, medo, alegria e conforto. As máquinas executam instruções baseadas em dados e não sentem cansaço ou desprazer com isso. O lugar da ética é sempre o lugar do humano.
Durante o evento, o autor também destacou que a transição para o trabalho ampliado pela IA exigirá um esforço significativo de requalificação profissional. “Não se trata apenas de tirar alguém do atendimento automatizado por chatbot e transformá-lo em um programador de IA. Não funciona assim.”
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Novas profissões continuam surgindo, como ocorreu com gestores de redes sociais anos atrás, uma função inexistente até pouco tempo. “A IA pode ajudar muito. Mas ninguém vai ter orgulho da inteligência artificial. O orgulho continuará sendo humano.”