Minas Gerais reúne alguns dos maiores polos hospitalares do país, mas também enfrenta um desafio comum a grande parte do Brasil: a desigualdade na distribuição de radiologistas e equipamentos de diagnóstico por imagem.

Segundo dados do Atlas da Radiologia, o Brasil tem, em média, cerca de 12,24 radiologistas por 100 mil habitantes, mas essa presença é fortemente concentrada nas capitais e em grandes centros. Em Minas Gerais, a densidade é menor: o estado conta com 10,54 radiologistas por 100 mil habitantes, um índice abaixo da média nacional.

A distribuição de equipamentos de diagnóstico também ajuda a ilustrar o cenário. Enquanto o Brasil tem, em média, 3,38 tomógrafos e 1,69 ressonâncias magnéticas por 100 mil habitantes, Minas Gerais registra 3,21 e 1,58 equipamentos por 100 mil, respectivamente, levemente abaixo da média nacional.

Em estados com grande extensão territorial como Minas, essa diferença costuma se intensificar fora das regiões metropolitanas. A maior parte dos especialistas e equipamentos está concentrada em capitais e polos hospitalares, o que pode significar deslocamentos longos para pacientes do interior e maior pressão sobre os serviços das cidades maiores.

Esse cenário se torna ainda mais desafiador diante do crescimento do volume de exames. Em 2023, o Sistema Único de Saúde realizou mais de 101 milhões de exames de imagem no país, um número que cresce à medida que o acesso ao diagnóstico se amplia.

Ao mesmo tempo, radiologistas enfrentam uma rotina cada vez mais pressionada. Estudos internacionais apontam níveis elevados de burnout na especialidade, impulsionados por aumento de demanda, fluxos de trabalho fragmentados e sistemas pouco integrados.

A solução vem na nuvem e na IA

Nos últimos anos, tecnologias baseadas em nuvem e inteligência artificial começaram a surgir como parte da solução para esse problema estrutural. Plataformas digitais permitem que exames realizados em hospitais do interior sejam analisados por radiologistas em outras cidades ou estados, conectando especialistas a regiões com menor disponibilidade de profissionais. Na prática, um exame realizado em uma cidade do interior de Minas pode ser analisado por um médico em Belo Horizonte ou mesmo em outro estado.

Além disso, sistemas de IA aplicada à radiologia podem auxiliar na triagem inicial de exames, identificar padrões em imagens médicas e ajudar a priorizar casos mais urgentes. Isso permite que os radiologistas concentrem seu tempo nos casos mais complexos e clinicamente relevantes.

“Quando falamos de tecnologia na radiologia, estamos falando de ampliar a capacidade do sistema de saúde de responder à demanda. Infraestrutura digital e inteligência artificial ajudam a organizar fluxos, priorizar exames e conectar especialistas a regiões com menos profissionais. Isso pode reduzir atrasos diagnósticos e melhorar o acesso ao cuidado”, afirma Felipe Kitamura, radiologista, professor afiliado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Chief Medical Officer da Eden, healthtech latinoamericana que chega ao Brasil como o 18º país na operação. 

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Para Kitamura, o avanço dessas tecnologias pode ser especialmente relevante em estados grandes e diversos como Minas Gerais. “Quando conseguimos conectar médicos, exames e dados de forma inteligente, ampliamos a capacidade do sistema de saúde de atender mais pessoas com mais qualidade. Em um país como o Brasil, isso pode ter um impacto muito significativo.”

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