Por que gostamos de coisas 'feias'? A ciência por trás do 'ugly cute'
O sucesso do cavalo de pelúcia com defeito não é um caso isolado; entenda a psicologia por trás da nossa atração por objetos e animais imperfeitos
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Em janeiro de 2026, às vésperas do Ano Novo Chinês (o Ano do Cavalo), um cavalo de pelúcia com uma expressão triste, resultado de um erro de fabricação na China, tornou-se um inesperado fenômeno de vendas. Conhecido nas redes sociais chinesas como "cavalo chorão", o brinquedo melancólico conquistou o público, fazendo as vendas saltarem de 400 para 15 mil unidades por dia e esgotando estoques rapidamente.
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O sucesso do item não é um caso isolado. Ele se encaixa em uma tendência conhecida como "ugly cute" ou "feio-fofo", que explica nossa atração por objetos, animais e até personagens que fogem dos padrões convencionais de beleza.
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Um dos exemplos é o boneco Labubu, sucesso de vendas no ano passado. A explicação para esse fascínio está em mecanismos psicológicos profundos que moldam nossas preferências.
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A ciência por trás do 'feio-fofo'
Estudos da psicologia sugerem que nossa mente responde a certos estímulos que indicam vulnerabilidade. Características como olhos grandes e cabeça desproporcional, que remetem a filhotes, ativam em nós um instinto de cuidado. Esse conceito, conhecido como "baby schema" (ou Kindchenschema), ajuda a explicar por que o cavalo de pelúcia "triste" aciona um gatilho emocional, despertando uma vontade de acolher e proteger.
Essa atração pelo imperfeito vai além dos brinquedos. É o mesmo princípio que nos faz achar graça em raças de cães como pugs e buldogues, conhecidos por seus rostos amassados e aparência desengonçada. A imperfeição pode gerar uma conexão emocional mais forte do que a beleza padronizada, pois torna o objeto ou animal único e aparentemente mais autêntico.
Existem alguns fatores-chave que explicam essa preferência:
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Instinto de cuidado: A aparência frágil ou triste desperta um desejo natural de proteger, semelhante ao que sentimos por bebês ou filhotes.
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Quebra de padrão: Em um mundo saturado de imagens de perfeição, algo que foge à regra chama mais atenção e se torna mais memorável.
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Unicidade: Um defeito de fabricação transforma um produto de massa em um item exclusivo, quase como uma peça de colecionador.
O fenômeno também revela uma mudança no comportamento do consumidor. A história por trás do produto, sua singularidade e a emoção que ele provoca estão se tornando mais valiosas do que a perfeição técnica. A busca por autenticidade faz com que uma falha se transforme em um diferencial poderoso, capaz de criar uma conexão genuína com o público.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.