Passadas as primeiras semanas de janeiro, a empolgação inicial com as promessas de Ano Novo dá lugar à rotina. É nesse momento que muita gente percebe como é difícil manter mudanças na alimentação, especialmente após férias e festas marcadas por exageros.

De acordo com a nutricionista Marlice Oliveira, docente da área de nutrição do Senac em Governador Valadares, integrante do Sistema Fecomércio MG, o desejo de mudar costuma surgir justamente nesse período de retomada. “O início do ano desperta reflexões sobre saúde e bem-estar. Muitas pessoas querem reorganizar como se alimentam, buscando um estilo de vida mais equilibrado”, explica.

Porém, com a volta ao trabalho, dos compromissos e dos horários fixos, surgem os principais desafios. Falta de planejamento, cansaço e tentativas de mudanças bruscas estão entre os fatores que mais dificultam a constância. “A ideia de transformar tudo de uma vez, com restrições severas, gera frustração e acaba afastando as pessoas do cuidado que haviam se proposto”, observa a especialista.

Segundo Marlice, a reeducação alimentar passa por mudanças graduais e possíveis. Organizar horários das refeições, aumentar o consumo de água, melhorar a qualidade do sono e incluir frutas, legumes e proteínas no dia a dia são atitudes simples, mas eficazes. “Não é preciso recomeçar do zero. Ajustar o próximo passo já ajuda muito. A constância é mais importante do que a perfeição”, afirma.

E mesmo para quem sente que “já saiu do plano” em janeiro, ainda é possível adequar o caminho. De acordo com a especialista, mais do que seguir regras rígidas, a reeducação alimentar trata de adaptar a alimentação à rotina real das pessoas e não mudar completamente seu modo de agir ou de comer em busca de um ideal imaginário.

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A nutricionista alerta ainda para os riscos das dietas muito restritivas. “Essas práticas podem gerar ansiedade, culpa e efeito rebote, além de prejudicar a relação com a comida”, diz. Para manter os bons hábitos ao longo do ano, a orientação é ter metas realistas e aceitar que deslizes fazem parte do processo. “Permitir flexibilidade e não desistir diante de pequenos erros ajuda a construir uma rotina alimentar mais saudável e sustentável.”

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