O Brasil poderá encerrar o ano de 2026 com até 1,8 milhão de casos prováveis de dengue, segundo estimativa do InfoDengue e do Mosqlimate Dengue Challenge, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). 

A pesquisa é referente ao período entre outubro de 2025 e outubro de 2026, com 65% a 70% concentrados na Região Sudeste. Caso o cenário se confirme, este será o segundo maior número de infecções registrado no país desde 2010, o que reforça o alerta das autoridades de saúde para a necessidade de intensificar ações de:

  • Prevenção
  • Vigilância epidemiológica
  • Imunização da população

Doença infecciosa 

A dengue é uma doença infecciosa transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Os sintomas podem variar de quadros leves, com febre baixa, até manifestações graves, como:

  • Febre alta incapacitante
  • Dor de cabeça intensa
  • Dor atrás dos olhos
  • Dores musculares e articulares
  • Erupções cutâneas

Em situações mais graves, a infecção pode evoluir para complicações sérias e até levar à morte.

A doença é causada por um vírus que possui quatro sorotipos diferentes: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Por isso, uma pessoa pode contrair dengue mais de uma vez ao longo da vida, já que a infecção por um sorotipo não garante imunidade contra os demais.

A principal forma de prevenção continua sendo a eliminação dos criadouros do mosquito, com vistorias semanais em residências e ambientes de trabalho, um processo que pode ser feito em cerca de 10 minutos.

O imunizante contra a dengue é tetravalente, ou seja, protege contra os quatro tipos da dengue

Paulo Pinto/Agência Brasil

Para a gerente técnica da Drogaria Araujo, Isabel Dias, a imunização tem papel central na proteção da população, sobretudo nos meses mais quentes. “É fundamental que a população se antecipe e busque a vacinação, antes do aumento sazonal dos casos, principalmente as crianças e adolescentes. Além disso, o uso regular de repelente é essencial para reforçar a proteção diária contra as picadas do mosquito”, orienta a especialista.

Vacinas disponíveis

No ano passado, o Ministério da Saúde iniciou o processo para incluir no calendário vacinal o imunizante produzido pelo Instituto Butantan, conhecido como Butantan-DV. Atualmente, os municípios de Nova Lima, Botucatu (SP) e Maranguape (CE) realizam a aplicação da vacina para avaliação da imunização em massa da população. Estudos indicam que o imunizante apresenta 74,7% de eficácia contra a dengue sintomática em pessoas de 15 a 59 anos e 89% de proteção contra as formas graves da doença.

Produzida em parceria entre o Ministério da Saúde, a Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue em dose única no mundo

Fundação Butantan/Reprodução

As doses da Butantan-DV serão aplicadas inicialmente em profissionais da Atenção Primária à Saúde que atuam em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em pontos especiais nos dias 17 e 24 de janeiro. Em seguida, a vacinação será ampliada para a população de 59 anos, com redução gradual da faixa etária até alcançar pessoas a partir de 15 anos.

Já os adolescentes entre 10 e 14 anos continuarão recebendo a vacina Qdenga. De acordo com o Instituto Butantan, a vacinação de idosos acima de 60 anos ainda depende de estudos clínicos, que têm previsão de início ainda em janeiro.

Em dezembro de 2023, a vacina contra a dengue foi incorporada ao sistema público de saúde do Brasil

Reprodução/ TV Globo

O esquema vacinal da Qdenga é composto por duas doses, aplicadas com intervalo de três meses. Crianças de 6 a 9 anos que já receberam a primeira dose podem tomar a segunda e completar o esquema. Para as faixas etárias que não estão contempladas pelo SUS, a vacinação está disponível na rede privada e em farmácias para pessoas de 4 a 60 anos, também em duas doses, com intervalo mínimo de três meses.

Além da vacinação

Além da imunização, o uso de repelentes — em spray, loção ou creme — é uma medida preventiva fundamental, especialmente durante o verão e em regiões com maior circulação do Aedes aegypti. Os produtos podem ser utilizados por todas as faixas etárias, respeitando as orientações de idade e aplicação.

Para quem apresenta sintomas suspeitos de dengue, há atualmente exames rápidos e seguros capazes de identificar a presença do vírus e permitir o diagnóstico precoce. O teste é feito a partir de uma pequena amostra de sangue, não exige jejum nem agendamento prévio e fornece o resultado em até 20 minutos. Além de confirmar a infecção, o exame também indica se o paciente já teve dengue anteriormente.

A testagem é essencial para diferenciar a dengue de outras doenças com sintomas semelhantes e para evitar complicações, garantindo o acompanhamento médico adequado no momento certo.

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