Blocos que atravessam o dia inteiro, quilômetros caminhados, dança intensa, calor e poucas horas de descanso transformam o Carnaval, na prática, em uma maratona física. Mesmo assim, muita gente encara a festa sem preparo.
Apesar do aumento da visibilidade do fitness no dia a dia, a prática regular de atividade física ainda não é um hábito consolidado no país. Segundo a quarta edição do Panorama Setorial Fitness Brasil, apenas cerca de 5% da população brasileira frequenta academias ou centros de atividades físicas. Esse contraste ajuda a explicar por que, ao fim da folia, são comuns relatos de dores musculares, fadiga intensa e até lesões que poderiam ser evitadas com preparo prévio.
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Segundo Anderson Téu, educador físico e personal trainer da Academia Gaviões, o principal erro é acreditar que o corpo “aguenta tudo” sem preparo. “Exige resistência cardiovascular, força muscular e capacidade de recuperação. Mesmo uma preparação simples já reduz o desgaste e o risco de lesões, além de permitir aproveitar mais dias de festa”, explica.
A seguir, o profissional divide algumas orientações práticas que ajudam a curtir a folia com mais segurança. Confira:
- Invista em um condicionamento prévio (mesmo que leve)
“Não é preciso virar atleta para aguentar a folia, mas preparar o corpo com antecedência faz muita diferença. O ideal é começar duas a três semanas antes, com estímulos leves de força e mobilidade, duas ou três vezes por semana”, orienta o personal.
De acordo com o educador físico, exercícios simples já cumprem bem esse papel. “Agachamentos, elevação de panturrilhas, exercícios para glúteos e fortalecimento do core ajudam a dar mais estabilidade ao corpo. Esse fortalecimento protege estruturas articulares como joelhos e tornozelos, que são muito exigidas quando ficamos horas em pé, caminhando ou dançando”.
- Cardio é seu maior aliado
“Blocos e festas exigem resistência contínua, não picos rápidos de energia. Por isso, o preparo cardiorrespiratório é fundamental”, explica o profissional. Ele recomenda atividades acessíveis e feitas com regularidade.
“Caminhada acelerada, bicicleta, escada ou elíptico, praticados por cerca de 30 a 40 minutos, três ou quatro vezes por semana, já ajudam o organismo a se adaptar ao esforço prolongado. Quem desenvolve esse preparo sente menos fadiga, se recupera mais rápido entre um dia e outro e reduz episódios de tontura e mal-estar”, relata.
- Mobilidade antes e depois da programação
“A ativação muscular não é detalhe, é prevenção”, reforça Anderson. “Antes de sair, prepare músculos e articulações para o esforço repetitivo. A indicação é exercícios de mobilidade. Os mesmos movimentos também ajudam na recuperação e reduz a rigidez e as dores no dia seguinte”.
De acordo com o personal, algumas regiões merecem atenção especial. “Panturrilhas, posterior de coxa, quadril e lombar devem ser prioridade. Ignorar essa etapa aumenta o risco de inflamações e desconfortos persistentes”, orienta.
- Pense no calçado como item de resistência, não só de conforto
“O calçado não deve ser escolhido apenas pela estética ou pelo conforto imediato”, alerta o profissionais de educação física. Ele precisa oferecer estabilidade, leve amortecimento e segurança para longos períodos de uso”, afirma.
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Segundo Anderson, o impacto acumulado no decorrer do dia sobrecarrega joelhos, tornozelos e coluna, especialmente em pisos rígidos como o asfalto. “Um calçado inadequado pode transformar diversão em desgaste físico”, alerta. Por fim, o profissional recomenda o uso de tênis fechado em blocos e festas de rua, por oferecer mais proteção contra pisões, impactos e torções, enquanto calçados abertos, como chinelos, aumentam o risco de machucados em ambientes lotados.
