Perda de memória pós-acidente: como o cérebro pode apagar lembranças
A amnésia traumática pode ser temporária ou permanente; entenda os mecanismos cerebrais por trás do fenômeno e como a recuperação funciona
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Talvez você já tenha visto isso acontecer só nos filmes, mas um forte impacto na cabeça ou um trauma psicológico intenso podem, realmente, fazer o cérebro apagar o acesso a certas memórias. O fenômeno, conhecido como amnésia traumática, explica por que algumas pessoas esquecem eventos específicos ou até longos períodos de suas vidas após um acidente ou uma experiência avassaladora.
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Trata-se de um mecanismo de defesa neurológico. Quando o cérebro sofre um dano físico ou um estresse extremo, ele entra em modo de proteção. Hormônios como o cortisol são liberados em excesso, o que pode interferir diretamente no funcionamento do hipocampo, a área responsável pela consolidação de novas memórias e pela recuperação das antigas. Essa interferência impede que as lembranças sejam "gravadas" ou acessadas corretamente.
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A amígdala, centro das emoções, também desempenha um papel crucial. Em situações de grande carga emocional, ela pode "ordenar" o bloqueio de memórias associadas a sentimentos insuportáveis, como uma forma de proteger a pessoa de reviver o sofrimento. É por isso que muitos traumas psicológicos, como abusos ou situações de violência, ficam temporariamente inacessíveis.
Tipos de amnésia traumática
A perda de memória pode se manifestar de diferentes formas, dependendo da área do cérebro afetada e da natureza do trauma. Geralmente, a amnésia é classificada em dois tipos principais, que podem ocorrer de forma isolada ou combinada:
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Amnésia retrógrada: é a perda de memórias formadas antes do evento traumático. A pessoa pode não se lembrar de dias, meses ou até anos de sua vida. Em geral, as memórias mais antigas e consolidadas, como a identidade e habilidades aprendidas, são preservadas.
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Amnésia anterógrada: caracteriza-se pela dificuldade ou incapacidade de criar novas memórias após o trauma. A memória de curto prazo é afetada, e a pessoa pode repetir as mesmas perguntas várias vezes, sem se recordar que já as fez.
Tem cura?
A recuperação das lembranças perdidas não segue um roteiro fixo e varia muito entre os indivíduos. Em muitos casos, as memórias retornam de forma gradual e fragmentada, como peças de um quebra-cabeça que se encaixam aos poucos. Em outros, um gatilho sensorial, como um cheiro, um som ou a visita a um lugar familiar, pode, subitamente, desbloquear uma lembrança.
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O processo pode ser emocionalmente desafiador, especialmente quando as memórias resgatadas estão ligadas a eventos dolorosos. Por isso, é fundamental procurar avaliação médica caso haja perda de memória após um trauma.
O tratamento, que pode incluir terapia cognitiva e acompanhamento neurológico, visa ajudar o paciente a desenvolver formas de lidar com os lapsos de memória e, quando possível, facilitar a recuperação das lembranças.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata