MEMÓRIA E EMOÇÃO

Por que o cheiro de comida ou de café traz lembranças tão fortes, segundo a psicologia

Um cheiro, uma viagem no tempo

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Sabe quando um aroma aparece do nada e, em segundos, você lembra de um lugar, uma pessoa, uma fase da vida? Isso é mais comum do que parece. Para a psicologia, o olfato tem um caminho rápido para a memória e para a emoção, então certos cheiros não só lembram fatos, eles trazem junto o clima inteiro da lembrança.

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Por que o cheiro de comida e café traz lembranças tão fortes?

O cheiro de comida e o cheiro de café costumam "puxar" memórias com uma rapidez quase instantânea porque o olfato trabalha de forma muito direta com regiões do cérebro ligadas a experiências pessoais. Você não precisa pensar muito: o corpo reconhece, a emoção vem, e a lembrança aparece logo atrás.

Essa lembrança costuma ser do tipo memória autobiográfica, ou seja, ligada à sua história de vida. Em vez de lembrar só de um detalhe, você se vê dentro da cena: a mesa, o horário, o som da casa, o sentimento que estava ali. Por isso, às vezes dá saudade, conforto ou até um aperto inesperado.

O cheiro de café traz lembranças ótimas - Créditos: depositphotos.com / AndrewLozovyi
O cheiro de café traz lembranças ótimas – Créditos: depositphotos.com / AndrewLozovyi

O que significa lembrar do passado com um cheiro segundo a psicologia?

Quando um aroma dispara lembranças vívidas, a psicologia muitas vezes associa isso ao fenômeno de Proust. É a ideia de que cheiros conseguem acionar recordações antigas com uma intensidade especial, como se a mente abrisse uma gaveta bem guardada e mostrasse tudo de uma vez.

O detalhe curioso é que nem sempre a lembrança vem em palavras. Às vezes, vem primeiro uma sensação, um "eu conheço isso", um humor que muda. Depois, o cérebro tenta encontrar a história por trás daquela sensação e encaixa a cena que combina com ela.

Por que o olfato conversa tão direto com emoção e memória?

Um dos motivos é que o olfato tem ligação forte com o sistema límbico, que participa do processamento emocional e da formação de lembranças. Dentro desse circuito, a amígdala ajuda a dar cor emocional ao que você vive, e o hipocampo ajuda a organizar essas experiências para que elas possam ser recuperadas depois.

Para perceber isso no dia a dia, vale observar como o corpo reage antes da mente "explicar". Alguns sinais são bem típicos quando a memória emocional é ativada por um aroma:

  • O humor muda de repente, mesmo sem motivo claro.
  • Surge um flash de imagem mental de um lugar específico.
  • O corpo responde junto: fome, salivação, relaxamento ou tensão.
  • Você sente vontade de repetir o cheiro, como se ele acolhesse.
  • Vem uma sensação de "voltar no tempo" por alguns segundos.

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O Evandro Magalhães conta, em seu TikTok, como a memória olfativa funciona:

@magalhaesevandro Conta aí, qual cheiro mais te marcou na vida e por que? #memóriaolfativa #sentidos #cérebro #emoções #perfumes #lembranças #perfume #cheiro #fragrancia #scent #fragrance #perfumaria #parfum #olfato ? Sweet Dreams – Slowed + Reverb – Ravens Rock

Como usar aromas para bem-estar e foco sem virar refém das lembranças

Dá para usar esse efeito a seu favor criando associações novas e gentis. A ideia não é viver preso ao passado, e sim construir pequenas âncoras no presente: aromas que sinalizam "hora de focar", "hora de relaxar", "hora de desacelerar". Isso funciona ainda melhor quando você repete o ritual do mesmo jeito, por alguns dias.

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Use um aroma fixo no começo do estudo para treinar um "modo foco". Com o tempo, o corpo entende o recado mais rápido.

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Um cheiro associado a casa pode ajudar em noites agitadas. O segredo é ligar o aroma a um ritual calmo, não à correria.

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Se um aroma traz lembranças pesadas, reduza a exposição e crie uma nova associação aos poucos, em contexto seguro.

O ponto é simples: você pode transformar o cheiro em ferramenta, não em armadilha. Quando o ritual é intencional, o cérebro para de ser "pego de surpresa" e começa a usar o aroma como sinal de rotina e cuidado.

Quando um cheiro vira gatilho e vale prestar atenção

Nem toda lembrança que vem com cheiro é leve. Às vezes, a nostalgia olfativa pode tocar em perdas, mudanças ou fases difíceis. E isso não significa que há algo errado com você: é só o cérebro conectando experiências antigas a um estímulo bem específico.

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Se o aroma dispara gatilhos sensoriais com frequência e atrapalha seu dia, uma saída é observar padrão e contexto: qual cheiro é, em quais lugares acontece, e como seu corpo reage. Só essa consciência já diminui o impacto e ajuda você a retomar o controle do momento.

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