Isolamento voluntário: até que ponto ficar sozinho pode ser saudável?
Em um mundo hiperconectado, a busca pela solidão aumenta. Especialistas analisam os riscos e os benefícios de se afastar do convívio social.
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A ideia de se isolar voluntariamente do mundo, seja por dias ou até mesmo meses, tem se tornado um tema de debate crescente, especialmente em uma sociedade hiperconectada. De retiros espirituais a experimentos sociais, a busca por autoconhecimento na solidão levanta uma questão central para a saúde mental: até que ponto ficar sozinho é saudável?
Estudos na área da psicologia e neurociência demonstram que o convívio social é um pilar para o bem-estar. A ausência prolongada de interação está associada a um maior risco de ansiedade, depressão e até a um declínio cognitivo. Sem a troca de ideias e a validação social, a percepção da realidade pode ser distorcida, abrindo espaço para pensamentos obsessivos e dificuldades na regulação emocional.
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Quando o isolamento pode ser benéfico?
Apesar dos riscos, a solidão não é inerentemente negativa. Períodos curtos e intencionais de isolamento, como retiros ou dias dedicados à introspecção, podem trazer benefícios significativos: ajudam a organizar pensamentos, diminuem o estresse e estimulam a criatividade.
A diferença fundamental está na duração e no controle. Enquanto um fim de semana de reflexão pode ser uma ferramenta poderosa de autoconhecimento, a reclusão prolongada e sem propósito definido pode se transformar em um gatilho para problemas de saúde mental. A chave está em ser uma escolha consciente e temporária.
Somos seres sociais por natureza. O contato humano ajuda a regular o humor, oferece uma rede de apoio e é essencial para a construção da identidade. Portanto, a busca por autotransformação através da reclusão total deve ser vista com cautela. Enquanto pausas planejadas na rotina social são revigorantes, a ausência completa e prolongada de contato representa um desafio significativo para a estabilidade emocional e cognitiva, exigindo acompanhamento profissional em muitos casos.
Isolamento “forçado”
Os efeitos do isolamento também puderam ser observados na sociedade que voltava à "normalidade" do convívio social, com restrições, após a quarentena restrita entre os anos de 2020-2022, marcados pela pandemia da covid-19 e um isolamento forçado e prolongado. Uma pesquisa realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) constatou que índices e número de pessoas com sintomas de depressão, ansiedade e estresse aumentaram durante o período.
Na época, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) também fez alertas sobre o aumento nos fatores de risco de suicídios. A não possibilidade de mudança de ambiente para amenizar estresse ou para alterar a rotina expôs vulnerabilidades emocionais, criando um ambiente favorável e espaço para angústia, medo e raiva.
Em conversa com a reportagem, a psiquiatra Ana Marta Lobosque, que atuou na rede pública de saúde mental em Belo Horizonte (MG) por mais de 30 anos, afirmou que os impactos do isolamento são diferentes para cada pessoa. Segundo ela, a convivência pelas redes sociais também conta como uma forma de socialização, mas que é "insuficiente para a vida que tem que ser vivida".
Sinais de alerta: quando é hora de buscar ajuda profissional
Momentos difíceis são comuns, mas alguns sintomas indicam que é hora de procurar apoio especializado. Nesses casos, psicólogos e psiquiatras podem ajudar com o suporte adequado. Atenção para os seguintes sintomas:
Choro frequente ou sensação de angústia constante;
Dificuldade para dormir ou dormir demais;
Falta de prazer em atividades antes agradáveis;
Irritabilidade excessiva, isolamento ou crises de ansiedade.
Caso o sintoma evolua para uma ideação suicida, ligue para o canal de apoio do Centro de Valorização à Vida (CVV). O canal é gratuito, sigiloso e está disponível 24 horas por dia pelo número 188.
*Com informações de Elian Guimarães
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.