Nos Estados Unidos, 3 mil óbitos de bebês prematuros são registrados por ano  -  (crédito:  Rawpixel.com/Divulgação )

Nos Estados Unidos, 3 mil óbitos de bebês prematuros são registrados por ano

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Convulsões podem ser uma das causas de mortes súbitas e inesperadas em bebês, que geralmente ocorrem durante o sono, segundo uma pesquisa da Escola de Medicina Grossman, da Universidade de Nova York (UNY), nos Estados Unidos. Conhecida popularmente como síndrome da morte no berço, a fatalidade costuma ocorrer antes dos 12 meses de vida. Não há estatísticas brasileiras. Nos Estados Unidos, estima-se que, anualmente, ocorram 3 mil casos.

As descobertas do estudo atual vêm de um registro de mais de 300 episódios, criado há uma década por pesquisadores da Escola de Medicina Grossman da NYU. Os pesquisadores usaram extensa análise de registros médicos, além de evidências de vídeo fornecidas pelas famílias para documentar os óbitos inexplicáveis de sete crianças com idades entre 1 e 3 anos, potencialmente atribuíveis a convulsões. Elas duraram menos de 60 segundos e ocorreram 30 minutos imediatamente antes da morte, afirmam os autores.

Durante décadas, os cientistas procuraram uma explicação para os eventos de morte súbita em crianças, notando uma ligação entre aquelas com história de convulsões acompanhadas de febre. Pesquisas anteriores relataram que os bebês que morreram repentina e inesperadamente tinham 10 vezes mais probabilidade de sofrer esses episódios. Um terço dos casos dos óbitos do tipo registrados no Hospital Universitário da NYU seguiram esse padrão. O estudo foi publicado na revista Neurology.

Evidências

"Nosso estudo, embora pequeno, oferece a primeira evidência direta de que as convulsões podem ser responsáveis por algumas mortes súbitas em crianças, que geralmente não são testemunhadas durante o sono", disse a pesquisadora principal, Laura Gould.

O pesquisador sênior Orrin Devinsky acrescentou que "os resultados mostram que as convulsões são muito mais comuns do que sugerem os históricos médicos dos pacientes, e que mais pesquisas são necessárias para determinar se são ocorrências frequentes em mortes relacionadas ao sono".

Segundo Devinsky, pesquisas anteriores em pacientes com epilepsia apontam para dificuldade em respirar que ocorre imediatamente após uma convulsão e que pode levar à morte. Mas ele observa que óbitos decorrentes de episódios do tipo são subnotificados e que precisam ser melhor investigados.