De saída do PSD, o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (MG) reconsiderou a decisão de deixar a política e vem se mostrando aberto à ideia de se lançar candidato ao governo de Minas Gerais com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pacheco avalia se filiar a outro partido e já conversou com dirigentes do União Brasil, do MDB e do PSB.
A saída do PSD já é considerada “natural” por pessoas próximos ao senador após o movimento feito pelo presidente da legenda, Gilberto Kassab, de apostar na filiação e na candidatura de Mateus Simões, atual vice-governador mineiro, como parte de um plano para lançá-lo ao governo com o apoio do governador Romeu Zema (Novo).
“Não há como ele [Pacheco] seguir em um partido que optou pelo caminho de apoiar os adversários políticos da direita”, disse um interlocutor do senador, sob reserva.
Além de Mateus Simões, outros nomes aparecem cotados a disputa em Minas. No momento, as pesquisas mostram como favorito o senador Cleitinho (Republicanos), que ainda não definiu se será candidato. Como todos os nomes até agora colocados são do campo da direita, Pacheco calcula que poderá herdar boa parte da votação obtida por Lula no estado na última eleição. No segundo turno, o petista teve 6,2 milhões de votos, o equivalente a 50,20% do total de válidos.
Saída natural
Em Minas Gerais, o União Brasil tem como expoente o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, aliado de Pacheco. A ida do senador para o partido é incentivada por Lula, que vê nesse passo uma oportunidade de retomar a articulação pela candidatura do senador, envolvendo na discussão outro personagem considerado capital pelo presidente e que é um dos cabeças do partido no plano nacional: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Antes de afunilar a decisão sobre seu destino partidário, Pacheco ainda espera clarear algumas questões ainda em aberto. No União Brasil, por exemplo, ele quer saber se o partido, hoje federado com o PP, irá obrigar os diretórios estaduais a apoiarem uma candidatura de direita. Se isso acontecer, evidentemente seria um empecilho intransponível para alguém que pretenda se lançar a governador com o apoio de Lula.
O presidente do União, Antônio Rueda, se move já há algum tempo para formalizar um rompimento com o governo do petista, um cenário que provavelmente resultaria no apoio à possível candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência.
Além do União Brasil, Pacheco também tem conversas com o MDB. Não faz muito tempo, ele recebeu um convite do presidente nacional do partido, Baleia Rossi. É um opção que, neste momento, não está descartada. O senador conversou ainda com o PSB, mas resiste a se filiar a um partido de esquerda. “A ideia é construir uma candidatura de centro, e é claro que a esquerda vai apoiar esse nome”, disse um aliado.
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Lula insiste no nome de Pacheco como parte de sua intenção de montar um palanque forte em Minas Gerais para seu projeto reeleitoral. O estado é, tradicionalmente, crucial para a definição do resultado da corrida presidencial.
