O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou, neste domingo (8/11), a abordagem do jornal norte-americano The Washington Post na entrevista feita com seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após a fuga do parlamentar para os Estados Unidos.
Em vídeo publicado nas redes sociais, gravado em inglês e direcionado ao jornal, Eduardo afirmou que a principal questão não deveria ser como Flávio deixou o Brasil, mas as circunstâncias que antecederam sua saída do país, após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições.
“Caro Washington Post, a principal questão não é como Flávio saiu do Brasil e por que ele fez isso”, declarou Eduardo, que sustentou que o irmão não planejava deixar o país. Na entrevista concedida ao Washington Post na quinta-feira (5/11), Flávio afirmou que ainda não sabe quais serão seus próximos passos nem como poderá retornar ao Brasil. O jornal americano também abordou as circunstâncias da fuga, as acusações de fraude eleitoral feitas pelo senador sem apresentação de provas e a incerteza sobre seu futuro político.
- Quaest: 62% consideram errada fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA
- "Vou levar para o túmulo": em entrevista ao 'The New York Times', Flávio Bolsonaro se recusa a contar como fugiu do Brasil
Em resposta, Eduardo voltou a questionar a legitimidade do resultado eleitoral. Segundo ele, a vitória de Lula surpreendeu diferentes setores da sociedade, incluindo integrantes da imprensa e políticos de esquerda, diante da expectativa de vitória de Flávio.
O ex-deputado também criticou o sistema eletrônico de votação brasileiro, que comparou a uma “caixa-preta”, alegando que seria impossível investigar eventuais irregularidades. Eduardo, no entanto, não apresentou provas de fraude. “Sete minutos depois do resultado das eleições, os policiais federais estavam assinando a ordem para apreender o passaporte de Flávio. E quem é o juiz responsável por isso? Sim, Alexandre de Moraes”, afirmou.
Leia Mais
A declaração faz referência à determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Flávio entregasse seus passaportes no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro.
Na sequência, Eduardo dirigiu críticas ao magistrado e citou decisões judiciais. O ex-deputado acusou Moraes de perseguir críticos e afirmou que a atuação do Judiciário brasileiro representaria uma ameaça também aos Estados Unidos. “Esse é o vírus brasileiro com o qual todos deveriam se preocupar para que não chegue ao seu país, não importa se você é de direita ou de esquerda”, declarou.
Ao final do vídeo, o ex-deputado pediu que a mensagem fosse compartilhada entre os americanos, sob o argumento de que seria necessário alertar a população para os riscos que, segundo ele, o Brasil representaria como exemplo de deterioração institucional.
A manifestação ocorre após o Washington Post publicar uma reportagem que descreve o contraste entre a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e a situação enfrentada pelo senador nos Estados Unidos. Na entrevista, Flávio reconheceu que ainda precisa regularizar sua situação migratória e decidir o que fará nos próximos meses.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
O jornal também informou que o senador se recusou a explicar como deixou o território brasileiro, apesar da determinação judicial de entrega dos passaportes. “Jamais falarei sobre o caminho que percorri”, disse Flávio ao jornal.
