A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de deixar o Brasil após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições é considerada errada por 62% dos brasileiros que tiveram conhecimento do episódio, segundo pesquisa Quaest divulgada neste domingo (8/11).
Outros 29% avaliam a atitude como correta, enquanto 9% não souberam ou não quiseram responder. O levantamento revela ainda uma divisão entre os eleitores de direita não bolsonaristas, grupo em que 45% desaprovam a saída do país e 46% a consideram correta.
Os números fazem parte do estudo pós-eleitoral “O Brasil depois das urnas”, conduzido pela Quaest e divulgado pelo diretor da empresa, Felipe Nunes, nas redes sociais. Foram entrevistadas 2.004 pessoas entre 30 de outubro e 2 de novembro. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A rejeição à decisão de Flávio é mais expressiva entre os entrevistados que se identificam como lulistas ou de esquerda não lulista. Nos dois grupos, 92% consideram errada a ida do senador aos Estados Unidos, enquanto apenas 4% avaliam a atitude como correta.
Entre os eleitores independentes, 63% desaprovam a decisão, 21% a apoiam e 16% não souberam responder. O cenário é diferente entre os bolsonaristas, grupo no qual 90% aprovam a decisão de Flávio, 5% a desaprovam e outros 5% não souberam responder.
Para Felipe Nunes, os resultados indicam uma divisão na base eleitoral que apoiou o senador no segundo turno. “O mais impressionante desse resultado é que ele mostra uma divisão da direita. Metade dos eleitores de direita acha que ele errou ao sair do país”, opinou o diretor da Quaest.
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Maioria acredita que Flávio fugiu da Justiça
O levantamento também investigou a percepção dos brasileiros sobre os motivos que levaram Flávio a deixar o país. Para 56% dos entrevistados, o senador viajou aos Estados Unidos para fugir da Justiça. Outros 35% acreditam que a decisão teve como objetivo protegê-lo de uma eventual perseguição política. Apenas 2% rejeitam as duas interpretações, enquanto 7% não souberam responder.
A percepção sobre as motivações da saída também varia conforme a identificação política. Entre os lulistas, 82% acreditam que Flávio deixou o Brasil para fugir da Justiça, enquanto 11% apontam uma tentativa de escapar de perseguição política. Entre os entrevistados de esquerda não lulista, os percentuais são de 91% e 6%, respectivamente.
No grupo dos independentes, 53% consideram que o senador saiu do país para fugir da Justiça, contra 32% que acreditam na hipótese de perseguição política.
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Entre os entrevistados de direita não bolsonarista, 51% apontam perseguição política como principal motivação para a viagem, enquanto 42% acreditam que Flávio buscou escapar da Justiça. Já entre os bolsonaristas, 93% defendem a interpretação de perseguição política, contra 6% que apontam uma fuga da Justiça.
