AMEAÇAS

Ana Elisa expõe ameaças de estupro e morte; PF abre investigação

Deputada federal recém eleita relatou ataques em resposta às críticas que recebeu por estar ser escoltada em tempo integral

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A Polícia Federal abriu uma investigação para apurar as ameaças divulgadas pela deputada federal eleita Ana Elisa Santos da Silva (PT-MG). Segundo a corporação, o caso está sendo apurado pela Delegacia de Polícia Federal em Divinópolis/MG, com apoio técnico especializado da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos (DCIBER/PF).

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"As medidas investigativas já foram iniciadas e incluem diligências especializadas e pedidos de cooperação policial internacional para obtenção de informações que possam contribuir para a identificação dos responsáveis", disse a PF em nota. Em razão do sigilo necessário à preservação das investigações, não serão divulgados detalhes das diligências em andamento.

Entenda

Ana Elisa, de 21 anos, expôs nesse sábado (7/11) nas redes sociais as ameaças de estupro e morte que vêm recebendo desde a campanha eleitoral. No vídeo publicado, ela lê um dos e-mails com ataques e rebate às críticas por estar andando com escolta policial 24 horas por dia. 

No início do vídeo, a deputada exibe uma publicação da influenciadora Natássia Chamelete, que acusa Ana Elisa de ser contra o policiamento nas ruas, enquanto usa escolta policial para si. A deputada rebateu a crítica e chamou de “fake news”, já que é contra a violência policial, mas não contra o policiamento. 

“Eu nunca disse, em nenhum lugar, que eu sou contra policiamento. Eu sou contra violência policial, uma coisa completamente distinta. Aliás, nenhum governo do PT é contra policiamento”, afirmou a deputada. 

A deputada eleita expõe, durante o vídeo, um e-mail encaminhado a ela por uma pessoa identificada como “Pedro Henrique Gabriel”. Na mensagem, ele descreve em detalhes como cometeria abuso sexual e assassinaria a deputada, com falas misóginas e racistas, repletas de violência e brutalidade. 

“Ana Elisa, a morte é meramente o final da minha obra prima de humilhação. Primeiro vem o estupro, depois o assassinato. Ambos entregues por alguém que olha abaixo do teu gênero e ri da tua raça”, diz o e-mail. 

Segundo Ana Elisa, ela decidiu expor essa mensagem para que as pessoas entendam o motivo do escoltamento policial. “O desejo de ser famoso na internet não pode ser maior do que a existência do outro. Você acha mesmo que eu queria uma escolta para chamar de minha? Eu queria ter liberdade, uma coisa que eu perdi e não tenho mais”, disse. 


MDHC defende investigação

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) publicou uma nota neste domingo (8/11) dizendo que acompanha o caso e reforçando a necessidade de investigação e responsabilização por ameaças. 

A pasta também informou que a deputada federal está sendo atendida pelo Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH), que em Minas Gerais funciona em parceria com o governo estadual.

Segundo o MDHC, o acompanhamento é feito desde 9 de outubro e envolve análise de risco, medidas protetivas e encaminhamento de denúncias às autoridades competentes, para eventual responsabilização de infratores. 

“O Ministério reafirma seu compromisso com a proteção dos direitos humanos e com o enfrentamento da violência política, de gênero e de raça”, disse em nota.

PT se solidariza 

Em nota, o Partido dos Trabalhadores manifestou solidariedade à deputada e repudiou os ataques criminosos, racistas e misóginos dirigidos a ela. “Nenhuma divergência justifica a violência, a intimidação ou o desrespeito à dignidade de qualquer pessoa”, defendeu. 

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O partido defendeu que os ataques sejam apurados e que sejam adotadas as medidas necessárias para garantir a segurança e integridade da deputada. “O PT está à disposição de Ana Elisa para oferecer apoio e contribuir com as medidas necessárias à sua proteção”, apontou. “Não podemos naturalizar a violência nem o silêncio diante dela”, completou.

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