Uma comitiva do governo federal visita aldeias indígenas em Mato Grosso do Sul neste sábado (31/10) para averiguar denúncias de intimidações após o segundo turno eleitoral. A equipe reúne Janine Mello, ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Eloy Terena, ministro dos Povos Indígenas, e Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública.

Os ministros cumprem agenda nas aldeias Taquapery, em Coronel Sapucaia, e Sassoró, em Tacuru, com entrevista coletiva agendada para 17h, em Dourados. O presidente Lula determinou a ida das autoridades diante do aumento das hostilidades contra as etnias após a votação de domingo (25/10).


Ameaças e violência sob investigação

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) registrou mais de 30 denúncias de episódios violentos no estado. A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) apuram as ocorrências, que abrangem:

  • áudios atribuídos a servidores municipais de Tacuru com ameaça de contaminação da água nas aldeias

  • atropelamento com suspeita de intenção criminosa contra um indígena em Coronel Sapucaia

  • incêndio que destruiu a casa de reza da líder espiritual Ñandesy Roberta, de 90 anos, na aldeia Jaguapiré

  • cinco mortes registradas pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) desde sábado (24), além de apurações em Naviraí

Em Tacuru, gravações divulgadas na internet registraram a declaração "Tem que matar essas pragas na água". O prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou o vínculo do autor com a administração municipal e determinou o afastamento do funcionário, lotado na secretaria de infraestrutura. Conforme a "Folha de S.Paulo", o servidor não respondia pelo abastecimento de água, e não existe confirmação de contaminação nos reservatórios.

Mobilização de segurança nos territórios

Uma força-tarefa foi mobilizada para proteger as comunidades e reúne a PF, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A Força Nacional de Segurança Pública atua por 90 dias nas aldeias sob coordenação da PF, em portaria assinada em 22 de outubro e publicada no dia 26.

A deputada Célia Xakriabá afirmou que "toda essa violência não é pontual, ela não é centralizada, ela não é localizada, ela é orquestrada. Uma violência que encoraja outras pessoas a cometerem os mesmos atos". A parlamentar pontuou que o acirramento decorre da aprovação da lei do marco temporal e de manifestações da bancada ruralista.

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As apurações oficiais também examinam o vínculo dos ataques com disputas históricas por posse e demarcação enfrentadas pelas comunidades Guarani e Kaiowá. Denúncias podem ser enviadas por meio do Disque 100, da plataforma Fala.BR e da Ouvidoria do Ministério dos Povos Indígenas.

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