A disseminação de listas com pedidos de boicote a comércios atinge Poços de Caldas, no interior de Minas Gerais, próximo à divisa com São Paulo. As mensagens circulam pelo WhatsApp e apontam estabelecimentos que pertenceriam a eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25/10).
Segundo o jornal “Folha de S.Paulo”, o texto compartilhado inclui dezenas de locais de diversos setores com o recado: "Se você é patriota, não compre nada nestes comércios todos petistas! Amplie a lista se souber". Conforme noticiou a "Folha", a prática ocorreu em capitais e cidades do interior, associada à campanha "demita um petista" nas redes sociais.
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Crime de perseguição e penalidades
A distribuição de listas por motivação política pode configurar crime de perseguição, previsto no Código Penal. Isso acontece quando a ação integra campanha continuada que ameace a integridade física ou psicológica da vítima, perturbando sua liberdade ou privacidade. A pena prevista atinge de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa.
Os vereadores Tiago Mafra e Diney Lenon, ambos do PT e eleitos em 2024, apresentaram denúncia à Polícia Civil. "Além de ser inadmissível moralmente, é crime. Está no código penal. Esse tipo de prática é idêntico à dos nazistas, que marcavam as casas onde os judeus moravam. Nós não vamos aceitar. Estamos aqui buscando todos os caminhos para tomar medidas contra essas pessoas", afirmou Lenon.
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Reação dos comerciantes
O comerciante Gustavo Pupila divulgou indignação pública em suas redes: "Isso aí é crime, é coisa feia. Eu vou descobrir cada um desses bandidos que pôs meu nome lá. Esses criminosos vão pagar. Não aceitaram perder e estão querendo mexer com a minha vida. Eu vou mexer com a sua vida, agora. Eu irei te achar", reagiu.
Outros lojistas relataram episódios similares ocorridos em 2022, na disputa entre Lula e Jair Bolsonaro (PL). Uma empresária afirmou que o impacto costuma ser breve: "O que vejo hoje é que esse tipo de agressão mais une a gente do que desune. As pessoas de bom senso, equilibradas, não entram nisso, não tratam os outros assim".
Outro comerciante local informou que o movimento de suas lojas normalizou após perdas pontuais em 2022. O empresário relatou ter sido expulso da academia que frequentava após alertar a dona sobre a publicação de notícias falsas nas redes da empresa.
Com 173 mil habitantes, Poços de Caldas registrou 90,5 mil votos no segundo turno. O candidato do PL somou 55,8% dos votos na cidade, contra 44,2% de Lula. No cenário estadual mineiro, Lula obteve 50,4% dos votos válidos, ante 49,6% de Flávio Bolsonaro.
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O presidente da Associação de Comerciantes de Poços de Caldas, Marcelo Bertolucci, respondeu ao contato da "Folha" afirmando apenas que estava ocupado. Vítimas de perseguição política no trabalho contam com canal do Ministério do Trabalho e Emprego para envio de denúncias de assédio eleitoral.
