SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) publicou um vídeo no começo da tarde desta terça-feira (27/10), poucas horas após a circulação das primeiras notícias sobre a possível fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do país, em que diz que "a eleição acabou" e que é preciso um "projeto de país".
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Tarcísio havia permanecido em Brasília durante a manhã desta segunda e só retornou a São Paulo no fim da tarde. Sua agenda de governo estava vazia na segunda e nesta terça. A mensagem não traz nenhum comentário sobre a opção do aliado de sair do Brasil.
"A eleição passou, mas não passou o desejo de ministérios com gente técnica e séria, de um governo que corte gastos e tire o peso dos impostos das costas do cidadão. De um país que não gaste mais com juros da dívida do que com saneamento básico, saúde e educação", disse. "Esse desejo tem nome, chama-se Projeto de país."
"Reconhecer o resultado [eleitoral] não significa calar sobre os excessos, o uso da máquina, programas lançados fora do prazo, a interferência do judiciário. Tudo isso marcou esta eleição e precisa deixar lições", continuou.
"Agora é hora de unidade, de uma oposição vigilante que cobre responsabilidade fiscal, que propõe aquilo que melhora a vida das pessoas e que fiscalize de perto quem governa pelos próximos quatro anos."
O governador era o preferido de partidos do centrão e de agentes do mercado financeiro para disputar a Presidência até o fim do ano passado.
Em dezembro, quando Flávio Bolsonaro anunciou que seu pai, Jair Bolsonaro (PL), seria o representante do bolsonarismo na disputa, ele passou a se dedicar à reeleição em São Paulo.
Parte de seus aliados tratou a campanha para a reeleição em São Paulo o primeiro degrau da campanha presidencial de 2030, embora agissem com discrição para evitar atritos com Flávio Bolsonaro.
Tarcísio disse diversas vezes que seu plano era manter-se no governo paulista. Neste mês, contudo, em um evento no clube Monte Líbano, em São Paulo, Flávio Bolsonaro disse que o governador tinha expectativa de disputar a Presidência, mas que o plano não deu certo porque Bolsonaro o escolheu.
No domingo (25/10), durante a votação, quando o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin determinou a prorrogação do horário de votação, decisão endossada pelo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, Tarcísio gravou um vídeo que não contestou as decisões, mas defendeu que elas fossem bem explicadas.
"Uma decisão tomada a poucos minutos do encerramento da votação, prorrogando o horário até às 19h, exige explicações claras sobre seus fundamentos e sua execução", disse o governador, afirmando também que o país "merece respeito, transparência e segurança jurídica".
Nessa segunda (26/10), seus principais apoiadores políticos no estado já haviam se manifestado, reconhecendo o término das eleições, em declarações dadas antes da ação da Polícia Federal que intimou o senador a entregar seus passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes.
O prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), distribuiu uma nota à imprensa dizendo que o processo eleitoral havia terminado e que "o desejo é que o novo governo acerte e recupere a economia para dar à população condições de melhorar sua qualidade de vida, bem como conduza a Nação visando à harmonia".
O vice-governador do Estado, Felício Ramuth (MDB), foi mais contundente. Nas redes sociais, disse confiar no processo eleitoral brasileiro e criticou o PL por questioná-lo.
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"Causou estranheza o próprio PL ter solicitado a prorrogação da votação, ainda que em locais específicos. Além disso, o total de votos registrados após as 17 horas em todo o país foi insignificante diante da diferença entre os candidatos", disse. "Se havia alguma dúvida quanto a essa prorrogação, o mais coerente seria tê-la questionado antes da apuração dos votos, e não somente após a confirmação do resultado."
