O deputado federal Pedro Campos (PSB-PE), o mais votado de Pernambuco nas eleições de 2026, publicou um vídeo nesta quarta-feira (21/10) em que questiona a forma como um dos moradores que aparecem na gravação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi retratado. Segundo Campos, o homem, conhecido como "Binha", tem uma caminhonete Toyota Hilux e mora em uma casa com móveis novos, características que, na avaliação do parlamentar pernambucano, contrastam com a imagem apresentada no vídeo.
A manifestação ocorre após Nikolas divulgar o vídeo "O Nordeste que foi esquecido", que reúne depoimentos de moradores da região com críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo sem áudio no Instagram, a publicação já havia ultrapassado 159 milhões de visualizações na noite desta quarta-feira
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No vídeo de resposta, Pedro Campos afirma que moradores de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, reconheceram Binha e questionaram sua participação na gravação ao perceberem que ele possui uma Hilux. O deputado também cita a esposa do homem, Aline, que, segundo ele, confirmou que o veículo foi comprado com o dinheiro do trabalho do marido.
Campos sustenta ainda que a casa mostrada por ele em sua publicação seria a residência verdadeira de Binha, com televisão e sofá novos, e não o imóvel que aparece no vídeo de Nikolas. O parlamentar também sugere que a imagem do homem na gravação original teria sido alterada com o uso de um filtro para reforçar a aparência de alguém submetido a condições difíceis de trabalho.
As afirmações sobre a residência, o veículo e a edição das imagens foram feitas por Pedro Campos. Não há, nas informações apresentadas pelo deputado, uma verificação independente que confirme todas essas alegações. O Estado de Minas entrou em contato com a assessoria de Nikolas Ferreira. A reportagem será atualizada caso receba resposta.
Assista ao vídeo publicado pelo deputado em seu perfil no X (antigo Twitter):
Disputa política em torno do Nordeste
Na gravação, Pedro Campos acusa Nikolas Ferreira e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, de utilizarem os depoimentos para construir uma representação negativa da região e criticar o governo Lula.
O deputado pernambucano também direciona parte de sua resposta às políticas públicas de saúde. Ele cita que o governo Lula destinou recursos para a construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), uma unidade odontológica móvel e duas ambulâncias para Luís Eduardo Magalhães. Também cita a construção de um hospital de câncer em Barreiras, município vizinho, e a instalação de um acelerador linear para radioterapia no interior da Bahia.
Em contraponto, Campos afirma que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cortou R$ 840 mil que seriam destinados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Luís Eduardo Magalhães, construída durante a gestão de Dilma Rousseff (PT).
Inaugurada em 2012, durante o governo Dilma, a unidade teve o incentivo financeiro suspenso em fevereiro de 2020, por determinação do Ministério da Saúde, sob a justificativa de descumprimento de requisitos previstos nas normas federais.
Ao final da publicação, Pedro Campos afirma que Binha teria excluído sua conta anterior no Instagram e criado um novo perfil. O deputado também menciona o assentamento Rio das Ondas, na zona rural de Luís Eduardo Magalhães, onde teriam ocorrido as gravações, e sustenta que Lula venceu no local no primeiro turno.
Vídeo de Nikolas ficou sem áudio
A publicação de Nikolas Ferreira foi divulgada na terça-feira (20/10) e utiliza uma versão instrumental da música "Grão de areia", parceria de Rubel com Xande de Pilares. O deputado mineiro afirmou que o cantor teria acionado a gravadora Sony Music Brasil para retirar o áudio do conteúdo.
A Meta, responsável pelo Instagram e Facebook, confirmou que o som foi removido após uma solicitação relacionada a direitos autorais, mas não identificou quem fez o pedido. Portanto, não há confirmação independente de que Rubel tenha sido o responsável pela solicitação, como alegou Nikolas.
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Após a retirada do áudio, o parlamentar mineiro criticou a medida nas redes sociais e afirmou que os moradores retratados no vídeo estariam sendo silenciados. A publicação, no entanto, permaneceu disponível e continuou acumulando visualizações.
