Em pronunciamento no Plenário do Senado Federal nesta quinta-feira (15/10), o senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos), cobrou humildade na condução do governador em exercício Mateus Simões (PSD) do período de transição entre mandatos.
“Quero mandar um recado ao governador Mateus Simões, que eu respeito muito. Qualquer coisa que você for fazer achando que vai me prejudicar, você não vai me prejudicar, vai prejudicar a população mineira”, declarou o senador. “Se fizer sacanagem não é comigo, é com o povo mineiro.”
“Não tenho medo. A partir de seis de janeiro (data da posse dos governadores eleitos) vou colocar as pessoas ao meu lado, com os melhores secretários, para reerguer esse estado. Vou através da Cemig e outros órgãos do estado fazer auditoria, rever contrato por contrato”, anunciou. “Vamos rever tudo que precisar para mostrar transparência.”
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Cleitinho pediu a Mateus Simões responsabilidade, humildade, transparência e maturidade política no atual momento. “Tire a vaidade, o ego, tire a raiva, passou a eleição”, afirmou. “Coloca Minas em primeiro lugar. Você diz que tinha medo de que eu ganhasse a eleição porque eu não estava preparado. Tenha mais sabedoria e humildade”, pediu.
O governador eleito também comentou as recentes manifestações sobre possíveis problemas financeiros enfrentados por Minas Gerais no próximo ano.
“Já disseram que talvez não tenha dinheiro para pagar os servidores. Eu espero que você (Simões) não faça sacanagem comigo”, protestou o senador. “Vocês reclamaram oito anos do PT e estão deixando o estado na mesma situação que o PT deixou”, afirmou Cleitinho.
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As finanças de Minas já haviam sido motivo de embate entre os dois no início desta semana. Orion Teixeira, colunista do Estado de Minas, revelou uma previsão da Secretaria da Fazenda de que existe o risco de falta de recursos para pagar salários de servidores em janeiro de 2027.
Em postagem no perfil do EM no Instagram, Cleitinho criticou o atual cenário administrativo: "Espera aí, ele mesmo está alegando sua incompetência? Se janeiro já não tem dinheiro para pagar servidores, quem está governando o estado até dezembro?".
Como resposta, também no Instagram do Estado de Minas, Simões tratou o sucessor como "senador" e descartou conversas privadas: "O senhor pediu um horário reservado apenas comigo na quarta, sob a alegação de que quer ajuda na transição, mas percebo que a ideia é continuar falando nas redes ao invés de trabalhar".
No pronunciamento feito nesta quinta no Plenário, o governador eleito defendeu que o processo de transição seja feito sem vaidades políticas e que as informações necessárias à preparação do próximo governo sejam compartilhadas com transparência.
A reportagem entrou em contato com a assessoria do Simões para saber o posicionamento dele sobre essas recentes declarações, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Posicionamento
Em nota, a atual gestão do Governo de Minas reafirmou o compromisso com a transparência e disse que obras públicas e empresas são auditadas pelos órgãos competentes. Segundo o Executivo, a transição começou em 6 de outubro e segue as exigências legais, com reuniões que serão transmitidas ao vivo.
Sobre a situação fiscal, o governo afirmou que a previsão de déficit para 2027, incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), não significa que o resultado será confirmado. A gestão citou superávits nos últimos cinco anos, incluindo o de R$ 1,108 bilhão em 2025, apesar da previsão inicial de déficit de R$ 8,6 bilhões.
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O Executivo também garantiu que o salário de dezembro de 2026 será pago até 6 de janeiro de 2027 e que o 13º dos servidores será quitado integralmente ainda neste ano.
