A ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu fez o discurso mais aplaudido na reunião da cúpula do PT convocada nessa terça-feira (6/10) para discutir o resultado do primeiro turno. Recém-filiada ao partido, a coordenadora da campanha de Lula no Tocantins criticou a coordenação nacional, a comunicação e a atuação da primeira-dama Janja da Silva.

Kátia Abreu filiou-se ao PT este ano, após passagens por DEM, PP e MDB. Como deputada, liderou a bancada ruralista e também presidiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Foi ministra da Agricultura no governo Dilma Rousseff, com quem desenvolveu uma relação de proximidade.

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De acordo com relatos dos presentes ao jornal “O Globo”, Kátia Abreu afirmou que o comando da campanha é formado por “paulistas sem voto”. O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, foi derrotado no primeiro turno, e as candidatas ao Senado da chapa, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), também não foram eleitas. O coordenador-geral da campanha, Edinho Silva, se elegeu deputado federal por São Paulo.

A ex-ministra ressaltou que a comunicação da campanha presidencial seguiu um caminho equivocado, o que teria contribuído para que Flávio Bolsonaro (PL) ficasse na frente no primeiro turno. Ela também abordou a participação de Janja, fazendo a ressalva de que só entraria no tema por ser mulher, e classificou como um erro a primeira-dama cantar música gospel nos comícios.

Abreu defendeu uma participação maior do vice Geraldo Alckmin e foi fortemente aplaudida pelos cerca de cem presentes ao pedir: “Menos Janja, mais Alckmin”.

As críticas à primeira-dama foram compartilhadas por outros dirigentes, que classificaram o gesto de Janja cantar a música gospel “Tapete Vermelho” como uma apropriação da fé, já que ela não é evangélica. Segundo eles, a atitude desagrada em vez de atrair esse público.

Houve uma queixa geral de que a comunicação deveria focar no futuro e não no legado de Lula. Edinho Silva também foi criticado pela escolha das agendas, com a avaliação de que Lula deveria visitar mais locais onde o bolsonarismo é forte, como o Centro-Oeste e o Sul de Minas.

A reunião chegou a ser interrompida quando o presidente do PT deixou o auditório. Os participantes decidiram esperar a volta de Edinho, pois argumentaram que ele precisava ouvir as críticas.

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Ao comentar o encontro, Edinho afirmou que a reunião serviu para alinhar a estratégia e que a comunicação terá mudanças para destacar a diferença entre os projetos dos dois candidatos. Ele concordou que Alckmin deve estar mais perto da campanha no segundo turno para "ajudar a ampliar diálogos com setores da sociedade".

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