O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), pretende reduzir a alíquota do IPVA de 4% para 3% a partir de 1º de janeiro. De acordo com ele, isso recuperaria a competividade mineira em relação a outros estados. A diferença de alíquotas trouxe prejuízo e a perda de emplacamentos, argumenta.
“Temos aqui a alíquota mais cara do Brasil”, afirmou nesta segunda-feira (5/10), lembrando que capixabas pagam 2%. Cleitinho pretende compensar a redução de arrecadação do IPVA com a revisão de isenções fiscais, avisando que verificará se as empresas atualmente beneficiadas realmente geram empregos e atuam em favor de Minas.
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O estado deixou de arrecadar R$ 27 bilhões ao conceder isenções, segundo ele. “Se essa empresa não está dando prestação de serviço com geração de emprego, ela vai continuar pagando. Por que o pequeno tem que pagar, por que o grande não vai pagar?”, questionou.
“Com a compensação, eu consigo reduzir a alíquota do IPVA. E te dou certeza de uma coisa: a competitividade.” Para Cleitinho, a revisão não provocará a saída de empresas de Minas.
Ao reiterar que fiscalizará a contrapartida por parte das beneficiadas pela isenção, avisou que não concorda com privilégios: “A turminha que ganhava a mais ali, os amigos do rei, comigo não vai ter isso mais não. Acabou. Eu vou igualar.”
Nesta segunda-feira, Cleitinho falou de seus planos a vários órgãos da imprensa nacional. Postou no Instagram sua foto em frente ao celular. “Foi assim que fizemos: um celular, uma luz e um sonho. Sem grandes estruturas e sem usar 1 centavo de fundo eleitoral”, diz a legenda.
Dívida mineira
O governador eleito pretende manter o diálogo com o novo presidente da República sobre a dívida de Minas Gerais com a União. Defende que parte dos valores pagos mensalmente por Minas seja direcionada a investimentos no estado em saúde e infraestrutura rodoviária.
Prometeu ampliar a regionalização do atendimento em saúde, com investimentos em hospitais filantrópicos, santas casas e hospitais regionais, como o de Montes Claros.
Cleitinho afirmou que a recomposição salarial dos servidores de segurança, saúde e educação é “obrigação”, mas informou que, primeiro, terá de reduzir a dívida de Minas e aumentar a receita. Prometeu recomposição anual.
O governador eleito se disse contrário à privatização de estatais como a Cemig, que são lucrativas e atendem o povo. “O que é bom você não privatiza. O que dá lucro e faz a prestação de serviço chegar no cidadão, você não tem que privatizar”, afirmou.
Ao analisar a administração pública, defendeu a redução de gastos não prioritários por parte das prefeituras, como shows bancados por dinheiro público, recurso que deve ser destinado a saneamento básico e ruas esburacadas, por exemplo.
Flávio e Lula
Cleitinho admitiu apoiar Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, embora não tenha contado com o candidato do Partido Liberal em seu palanque. Disse também esperar de Bolsonaro disposição para ouvi-lo sobre os problemas mineiros.
“Quando Flávio estava começando a oficializar, eu tinha me posicionado dizendo que iria apoiá-lo. Minha candidatura teve alguns imprevistos, acabou que o PL lançou Flávio Roscoe. Mas agora, no segundo turno, estou à disposição para conversarmos e dar apoio”, declarou.
“Minas é um estado complexo, de muitas regiões. Espero que ele me ouça, ouça quem entende quando me procurar, que é o que acredito que possa acontecer.”
O mineiro afirmou que, encerrado o segundo turno, dialogará com quem vencer. “Se eleito Lula ou Flávio, quero ser o primeiro governador a poder ligar para o presidente e trazer pacificação. Não vamos fazer o país prosperar dividido.”
No entanto, ele acha “impossível” o petista vencer em 25 de outubro, já que o atual presidente teve menos votos do que Flávio Bolsonaro no domingo passado.
Supremo: 'Vergonha na cara'
Ao comentar a campanha eleitoral, Cleitinho disse que o Supremo Tribunal Federal deve “tomar vergonha na cara”, assim como seus ministros, e “entender que a Justiça no Brasil está desmoralizada”.
Segundo ele, esta pauta, que anteriormente mobilizava apenas a direita, hoje está presente junto a eleitores de esquerda, direita e centro, que entendem que o Judiciário precisa passar por reformulação.
Cleitinho criticou a polarização que distancia o cidadão do debate eleitoral. “Briga ideológica não muda a vida de ninguém”, afirmou. “Nunca vi uma campanha tão desanimada como esta”. E completou: “Foi a pior campanha que já vi no Brasil”.
O futuro governador de Minas defendeu o fim da escala 6 por 1, ao contrário de Flávio Bolsonaro, e espera que Davi Alcolumbre, presidente do Senado, paute a discussão para antes do dia 25, data do segundo turno.
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“Estarei apoiando tudo o que for a favor da população. Quero que Davi paute o mais rápido possível para dar um fim na escala e dar dignidade. Só tem dignidade para falar quem passou por ela, e eu passei, com meu pai”, declarou.
