O primeiro turno das eleições registrou uma abstenção recorde de 21,08%, com 33,4 milhões de brasileiros ausentes, segundo dados da Justiça Eleitoral. O índice representa o maior já registrado em uma primeira fase de votação no país.

Na última eleição presidencial, em 2022, a taxa de ausência foi de 20,79%, o que correspondeu a 32,7 milhões de eleitores. Os votos inválidos, que somam brancos e nulos, totalizaram 4,77% na disputa deste ano. Há quatro anos, esse percentual foi de 4,25%.

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A abstenção tem crescido de forma consistente desde 2006, acumulando uma alta de 4,2 pontos percentuais desde então. Uma exceção ocorreu no segundo turno da última eleição presidencial, quando o não comparecimento caiu para 20,57%. Especialistas atribuem essa reversão ao acirramento da disputa entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

Os estados com as maiores taxas de abstenção no primeiro turno foram Mato Grosso do Sul (23,87%), Rio de Janeiro (23,32%), Minas Gerais (22,79%) e São Paulo (22,54%). Já os menores percentuais foram observados no Ceará (15,52%), Roraima (17,12%), Piauí (17,16%) e Sergipe (17,30%).

Perfil e possíveis causas

Dados da Justiça Eleitoral de 2022 indicam que o perfil dos eleitores que se abstêm é formado majoritariamente por homens, com menor grau de instrução. As faixas etárias com mais ausentes são entre 21 e 29 anos e acima de 70 anos, grupo para o qual o voto é facultativo.

Em 2022, eleitores analfabetos registraram 52% de abstenção no primeiro turno, enquanto a taxa entre aqueles com ensino superior completo foi de 12,4%. Os dados detalhados sobre o perfil dos ausentes em 2026 ainda não foram divulgados.

O pleito deste ano teve o menor engajamento nas campanhas desde a redemocratização. Cientistas políticos apontam um conjunto de hipóteses para o fenômeno, que vão desde uma ressaca das últimas disputas até a dificuldade de acesso aos locais de votação, principalmente na região amazônica, e a desatualização do cadastro de eleitores.

O voto é obrigatório para pessoas entre 18 e 70 anos, exceto analfabetos. A ausência pode ser justificada pelo aplicativo e-Título, sem a necessidade de documentos. Quem não justifica paga uma multa de R$ 3,51 por turno e, após três ausências, tem o título cancelado. Em 2025, 5 milhões de pessoas tiveram o título cancelado por esse motivo.

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Essa facilidade para deixar de votar, segundo especialistas, também se reflete na queda dos votos inválidos. Para alguns analistas, os eleitores estariam preferindo a abstenção ao registro de votos brancos e nulos nas urnas.

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