Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, classificou Fernando Haddad (PT), então ministro da Fazenda e hoje candidato ao governo de São Paulo, como um de seus “maiores opositores”. Em conversa com uma advogada em outubro de 2025, o banqueiro afirmou ainda que, “infelizmente”, não conhecia o petista. As informações são do jornal O Globo.

As mensagens estão no material extraído pela Polícia Federal (PF) do celular de Vorcaro, apreendido durante sua primeira prisão, em 17 de novembro de 2025. A conversa ocorreu em 29 de outubro daquele ano com Vanessa Souza, advogada que atuava nos Estados Unidos e havia sido indicada a Vorcaro pelo pastor André Valadão. Durante o diálogo, ela contou que almoçava com “o advogado do Haddad”, sem identificar de quem se tratava.

Na sequência, Vanessa perguntou a Vorcaro sobre a situação do Banco Master no Banco Central. Naquele momento, a autoridade monetária ainda analisava a compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). O Master seria liquidado dias depois.

“Vc abortou o assunto da venda do banco, aquele problema no Banco Central?”, perguntou a advogada. Vorcaro respondeu que a situação era “bem mais profunda” e afirmou: “Haddad [é] um dos meus maiores opositores. Infelizmente, porque nem conhecer o conheço”. “Vamos mudar isso, então”, respondeu Vanessa.

Haddad diz que recusou encontros

As mensagens vão ao encontro da versão apresentada por Haddad sobre sua relação com Vorcaro. Em entrevistas recentes, o ex-ministro afirmou nunca ter mantido contato com o banqueiro e disse ter recusado tentativas de aproximação.

Em entrevista ao SP1, em 14 de setembro, Haddad afirmou que nunca recebeu Vorcaro, esteve no mesmo ambiente que ele ou trocou telefonemas e mensagens com o ex-banqueiro. Segundo o petista, sua equipe já o havia alertado sobre problemas envolvendo o Master.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

À CNN Brasil, Haddad também já confirmou que recusou “diversas vezes” receber Vorcaro. Segundo ele, integrantes de sua equipe analisavam a situação financeira do banco e o alertavam sobre os riscos envolvendo a instituição. “Eu me recusei diversas vezes a receber essa figura, porque todo mundo me alertava que aquilo ali era nitroglicerina”, afirmou.

compartilhe