Janones sai do hospital, compara Lula a Messi e diz que petista não precisa usar redes sociais
Após internação por arritmia, deputado descarta necessidade de mudança no marketing político de Lula; parlamentar acompanhou debate recente
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou que não tem nada a ensinar ao presidente Lula (PT) sobre comunicação e que o petista não precisa aprender a usar as redes sociais.
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"O Lula é o maior comunicador da história desse país", disse nesta terça (20), ao deixar o hospital em São Paulo, onde foi internado com arritmia cardíaca na madrugada de segunda-feira (19) após acompanhar o debate do petista contra Flávio Bolsonaro (PL).
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Para o deputado, cabe a Lula continuar explorando o próprio carisma, enquanto aliados mais jovens se encarregam de traduzir sua comunicação para o ambiente digital.
"O Lula simplesmente precisa de a gente fazer o trabalho nas redes sociais enquanto ele brilha", afirmou, comparando o presidente ao argentino Lionel Messi, que, mesmo genial, precisaria de jogadores mais jovens para correr por ele.
Janones é o criador do canal Exército do Lula, que reúne mais de 5,6 milhões de apoiadores no WhatsApp e se tornou uma das principais ferramentas de mobilização digital da campanha pela reeleição. O deputado orienta os integrantes do grupo sobre como atuar nas redes, com ações coordenadas de engajamento e disseminação de mensagens favoráveis ao presidente.
Para Janones, Lula teve um dos melhores desempenhos de sua trajetória no debate contra Flávio. O parlamentar destaca a capacidade do presidente de produzir cortes que viralizam, recorrer ao humor e explorar o próprio carisma. Como exemplo, citou o momento em que, após o adversário tentar encurralá-lo perguntando por que a maioria dos presidiários aptos a votar o escolheu nas urnas, o presidente afirmou querer o voto até do pai dele, Jair Bolsonaro (PL). A fala virou meme e ganhou traduções em vários idiomas.
O deputado diz que sua estratégia para os últimos dias da campanha não segue um roteiro fixo. "De fato não existe nenhuma estratégia, porque eleição é momento, é sentimento." Ele disse que monitora a toda hora as reações nas redes sociais pelo celular e decide, a partir delas, quais conteúdos divulgar no canal.
Janones afirma que a esquerda conseguiu superar a direita nas plataformas digitais e que a mudança pode se refletir nas urnas. "A extrema-direita nunca mais vai ter hegemonia nas redes sociais", disse.
Ele atribui o resultado à disseminação do conhecimento sobre algoritmos e mobilização digital, que, segundo ele, deixou de ser restrito à sua equipe.
A tese de Janones é a seguinte: o engajamento nas redes antecipa movimentos captados pelas pesquisas eleitorais. Ele citou uma reportagem da Folha de S. Paulo que aponta melhor desempenho eleitoral dos candidatos que lideravam nas redes sociais. O dado, porém, não demonstra por si só que popularidade digital determine o resultado nas urnas.
Para o segundo turno, Janones defendeu uma campanha baseada na argumentação, sem intensificar ataques ao filho de Jair Bolsonaro. O objetivo, afirma, deve ser mobilizar quem não votou no primeiro turno e conquistar os indecisos.
Ele também faz uma distinção entre bolsonaristas ideológicos e eleitores de Flávio que votam no candidato por considerá-lo melhor que Lula. "Esse cara a gente ainda consegue convencer se a gente trouxer ele para a argumentação."
Janones foi internado após apresentar arritmia cardíaca e falta de ar, após acompanhar o debate presidencial. Ele anunciou para sua tropa virtual que falaria num horário escolhido a dedo para refletir o número do PT, às 13h13, após receber alta.
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Creditou o quadro clínico à má alimentação e a uma rotina de sono deficiente nos últimos dias, de no máximo três horas por noite. Não houve "forte emoção" no debate nem provocação que tenha sofrido de bolsonaristas, ao menos uma de que se lembre, disse.