'Flávio é favorito', aponta diretor da Quaest
Para analista da Quaest, voto útil consolidou a direita e petista precisará conquistar 8% dos eleitores que rejeitam os dois lados na disputa
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Flávio Bolsonaro (PL) venceu o primeiro turno e é o favorito para chegar ao Planalto, segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest. Historicamente, nunca houve uma virada em segundo turno nas eleições presidenciais brasileiras.
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“Quem disputa o segundo turno na frente é favorito. Todos os candidatos que foram ao segundo turno na frente venceram a eleição. Flávio, claro, se torna favorito. Vai ser preciso ter uma campanha muito estratégica para Lula, a vantagem de Flávio é expressiva”, afirma Nunes.
Em entrevista para o jornal “O Globo”, o cientista político avalia que o resultado reflete uma movimentação previsível no campo da direita, que já era observada há cerca de 15 dias. O voto que estava em candidaturas alternativas, como as de Caiado, Cury, Renan e Zema, consolidou-se em torno de Flávio por meio do voto útil.
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Segundo Nunes, esses candidatos funcionaram como um "reservatório da direita". Quando o eleitor percebeu a falta de viabilidade deles, migrou para o candidato do PL. Esse movimento explica os oito pontos percentuais que Flávio cresceu na reta final da campanha.
“Caiado, Cury, Renan e Zema funcionaram como uma caixa d’água de votos, um reservatório da direita. Quando esse eleitor percebeu que as candidaturas não tinham viabilidade, fez o voto útil. O percentual deles sai de 16% para 8%. São os oito pontos que o Flávio cresceu na reta final. Era totalmente previsível”, explicou Nunes.
A análise aponta que a onda de direita é um reflexo de mudanças estruturais na sociedade. Em 2002, 25% dos eleitores não se identificavam como de esquerda, direita ou centro. Hoje, esse número é de apenas 4%, com um crescimento significativo da identidade de direita.
“O eleitor de direita está calcificado. O eleitor tem uma identidade política, um valor, uma visão de mundo, e aguarda a definição de quem é a candidatura de direita — hoje muito consolidada em torno do número do PL, mas que Tarcísio e Cleitinho mostram que não se limita a a isso. Em 2002, 25% dos eleitores não sabiam dizer se eram de esquerda, direita ou centro. Hoje, só 4% não sabem. O que cresceu nestes 20 anos foi a identidade de direita. Existe uma explicação estrutural para o que estamos vendo. O voto econômico explicava muito; o que explica agora são os valores, e a direita tem identidades e valores que são muito claros”, avaliou Nunes.
De acordo com o diretor da Quaest, os valores se tornaram mais decisivos que o voto econômico. Fatores conjunturais também pesaram contra Lula, como a aprovação do governo com saldo negativo e a percepção de que a gestão não gerou bem-estar nem respondeu às principais preocupações da população.
Os desafios de Lula para o segundo turno
O caminho de Lula para uma virada inédita passa por conquistar os 8% de eleitores que votaram nos demais candidatos. Nunes considera esse um "percentual enorme numa disputa tão apertada", mas ressalta a dificuldade de atrair esse grupo, que rejeita ambos os lados.
Lula também precisará diminuir a abstenção, que segue o padrão histórico de ser maior entre os mais velhos e nas regiões mais pobres. Além disso, a campanha terá que usar os debates de forma estratégica para ganhar os votos em disputa.
A avaliação é que o esforço da campanha petista se concentrou em manter sua base, e não em buscar o eleitor independente. Para reverter o cenário, Lula terá que formar novamente uma frente ampla, que segundo Nunes se desfigurou após liberais sociais se sentirem traídos pelo governo.
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Os escândalos revelados durante a campanha, como o caso "Master", alimentaram o sentimento de mudança. O eleitorado, na visão de Nunes, interpretou a crise como um problema do sistema, e não de um candidato específico.