O governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD) gravou um vídeo no fim da tarde desta terça-feira (29/9) para justificar o patrocínio de R$ 32 milhões aos três principais clubes de futebol de Belo Horizonte – Atlético, Cruzeiro e América. O anúncio foi feito pela manhã. O aporte foi criticado pela oposição e por internautas. Antes de gravar o vídeo, Simões já havia respondido a críticas nos comentários das postagens sobre o patrocínio.

A Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) serão as patrocinadoras. Serão destinados R$ 15 milhões ao Atlético, R$ 15 milhões ao Cruzeiro e R$ 2 milhões ao América.

Simões garantiu que os recursos não são provenientes das áreas de saúde, educação ou assistência social. "Quero deixar alguns pontos bem claros, gente. Primeiro, zero dinheiro da saúde e da educação, não tem nem um centavo das áreas sociais entre o futebol, a lei não permite isso”, afirmou no vídeo, em resposta à principal crítica feita à medida.

Ainda conforme o governador, o dinheiro vem de verbas de publicidade das estatais, que têm recursos destinados à divulgação de suas marcas. "Nós estamos só direcionando o recurso para que ele vá para o futebol", completou.

O candidato à reeleição também relacionou o patrocínio à proibição da publicidade de empresas de apostas de cota fixa, as bets, pelo governo federal. Segundo ele, a medida afeta uma fonte de receita dos clubes. "Por que nós estamos agindo agora? Porque o fim das propagandas das bets foi resultado de uma medida provisória de dois dias atrás. É importante porque protege as famílias do vício e do endividamento, mas os clubes tinham esse dinheiro na conta deles para poder ter saúde financeira", disse.

O governador afirmou que o objetivo é evitar o enfraquecimento dos clubes e a perda de empregos. "Então para a gente não enfraquecer o esporte ao longo da próxima, do próximo ciclo, não destruir empregos, não gerar pressão pela volta das bets", justificou.

Simões afirmou ainda que não defende a volta das bets e que o patrocínio terá "contrapartidas para o povo", como ingressos populares, especialmente para estudantes de baixa renda, além de apoio ao esporte paralímpico e ao futebol feminino.

"O objetivo maior, gente, continua sendo enfrentar o vício às bets e ao mesmo tempo proteger a economia e os empregos do nosso estado de cada um dos nossos times e dos mineiros", afirmou. 

MP das Bets

A Medida Provisória nº 1.394 foi editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (25/9). O texto proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos on-line. 

Ela veda também, a partir da publicação, a contratação de novas ações de publicidade, patrocínio ou promoção comercial das bets. Materiais publicitários e sinais de patrocínio já existentes têm prazo de até 10 dias para serem retirados.

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A MP também estabelece que os sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar a partir de 6 de outubro. Os apostadores têm até 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores mantidos nas plataformas.

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