Ex-coordenador de campanha de Jair Bolsonaro (PL) no Nordeste durante a corrida presidencial de 2018, o ex-deputado federal da Paraíba e candidato à reeleição Julian Lemos (Progressistas) publicou um vídeo criticando o grupo bolsonarista, afirmando que foi “livramento” se afastar de Jair e dando apoio explícito ao maior rival político do bolsonarismo, o atual presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No vídeo, montado com inteligência artificial, o candidato retomou a trajetória política que construiu a partir de 2012, com o movimento “O Gigante Acordou” e, na sequência, ao lado de Jair: “Eu não era político. Fui pra rua com raiva, igual todo mundo. Aí eu conheci um deputado que ninguém conhecia ainda. O nome dele era Jair Bolsonaro. Eu rodei o Brasil com ele três anos e meio. Eu era o cara que organizava a agenda e a segurança dele. Braço direito mesmo. Eu me tornei bolsonarista”, contou.

Segundo ele, assim que se aproximou do então presidenciável e conquistou a cadeira na Câmara dos Deputados, viu “a fonte das ilusões”. Ele afirmou que foi um bom deputado, com forte atuação no combate à exploração sexual infantil, mas que não estava feliz “porque lá fora aquilo virou outra coisa: virou ataque, violência, intolerância, armamento”.

O candidato seguiu a narrativa afirmando que não concordava com a ideologia e que se sentia “um peixe fora d’água”. “Eu tinha cargo, tinha espaço, tinha gente me chamando de amigo. Só que pra ficar, eu ia ter que mentir pra todo mundo. Inclusive pra mim. Aí eu virei traidor”, relatou.

Em 2022, quando tentou a reeleição, perdeu metade dos votos e não conquistou a vaga novamente em meio ao abandono da pauta bolsonarista. Na tentativa da segunda conquista mais uma vez, argumenta que “hoje, quem o acolhe, é quem apanha dos dois lados”, citando pessoas de religião de matriz africana, “evangélico que apanha porque não vota em quem mandaram”.

Em tom de campanha, afirmou que “está voltando para trabalhar” e que “não é fanático pra lado nenhum, nem por si mesmo”. “A pergunta não é em quem você vota. É quem você virou por causa disso. Eu? Virei um homem livre, livre de verdade. Sem dono, sem dever favor a ninguém”, diz a voz que narra o vídeo, enquanto o deputado aparece vestindo um boné vermelho de apoio a Lula e “faz o L” com uma das mãos. Ao final, pergunta diretamente ao espectador: “Tá pronto pra mudar de rota também?”.

Em outras publicações, Julian faz montagens de si mesmo com Lula e diz que "expandiu sua consciência" e que entende que mudar de posicionamento não demonstra fraqueza, mas exige coragem.

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Julian Lemos fez parte da equipe de transição do Governo Bolsonaro, à época filiado ao PSL. Natural de Campina Grande (PB), ele tem uma condenação por estelionato em primeira instância, em 2011, que prescreveu antes de novo julgamento. Ele também é acusado de violência doméstica contra a irmã e ex-mulher, com três processos datados entre os anos de 2013 e 2016, sendo dois deles arquivados a pedido da ex. Recentemente, em fevereiro deste ano, participou de ato de Lula contra o feminicídio no Palácio do Planalto.

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