O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em discurso na Assembleia Geral da ONU que a democracia "está novamente em xeque". Ele rechaçou "ingerências externas" em decisões soberanas de países como o Brasil e a Venezuela. Lula disse que em 4 de outubro os eleitores decidirão "entre a democracia e o negacionismo".
Segundo o mandatário, o Brasil "não cabe no quintal de ninguém" e percorreu um longo caminho para restaurar a vontade popular. Ele destacou que o povo venezuelano merece decidir seu próprio destino e criticou a divisão do mundo em zonas de influência.
"Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais", afirmou.
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O pronunciamento ocorreu em um momento de tensão com o governo dos Estados Unidos, motivado pelo receio de interferência no processo eleitoral brasileiro.
“Teremos um pleito transparente, competitivo, em que todos os candidatos desfrutam de liberdade de expressão. Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país. Não subestimamos o desafio das redes de desinformação, que pretendem desvirtuar o debate público, mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto. Não permitiremos que inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo soberano. Ninguém, ninguém nos afastará desse caminho”, discursou o presidente.
Ele reforçou que o país possui um sistema eleitoral moderno e robusto, afirmando que o pleito será transparente e competitivo. "No dia quatro de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo", disse Lula em referência ao principal adversário na disputa, Flávio Bolsonaro (PL).
Sobre segurança, Lula mencionou ter entregue pessoalmente ao presidente americano, Donald Trump, um plano de atuação conjunta contra facções criminosas. Ele apelou pela cooperação para estancar o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime organizado.
“Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos”, afirmou Lula.
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O presidente também se posicionou contra pressões de multinacionais que, segundo ele, "querem privatizar o nosso Pix". No cenário internacional, criticou o governo de Benjamin Netanyahu e defendeu restrições severas ao modelo de negócios das empresas de apostas.
Lula ainda criticou a "fragilidade" da ONU, que, em sua visão, tem falhado em sua missão de "livrar o mundo do flagelo da guerra". Esta foi a décima participação do presidente na abertura do debate geral da organização.
“A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército, nem arsenais, nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, criticou o presidente.
Temas tratados por Lula na ONU
Desde sua primeira participação, em 2003, Lula buscou projetar o Brasil como ator global, defendendo o combate à fome e a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Ele também lançou a iniciativa “Ação contra a Fome e a Pobreza”.
No segundo mandato, entre 2007 e 2010, o presidente destacou a necessidade de uma nova governança financeira internacional, especialmente após a crise de 2008. Ele defendeu maior representação do Sul Global em fóruns como o G20.
Em seu retorno em 2023, após 14 anos, os temas centrais foram a crise climática, o combate à fome e a desigualdade global. Lula ressaltou a importância da Amazônia como patrimônio da humanidade.
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No discurso seguinte, manteve a ênfase na reforma da governança mundial e incluiu o enfrentamento à desinformação e ao extremismo. Durante o terceiro mandato, tem buscado reposicionar o Brasil como voz de liderança do Sul Global.
