A colunista Vera Magalhães, do jornal O Globo, avaliou que parte do antipetismo dirigido ao presidente Lula (PT) nasce de um "ódio de classe" arraigado, e não de questões fiscais ou da percepção de que o petista é corrupto. A análise foi apresentada no videocast "Fora da Bolha", que discute a corrida eleitoral de 2026, divulgado no domingo (20/9).

Escândalos e voto

Segundo Vera, os escândalos não afastam parte do eleitorado de Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL). "As pessoas não votam no Jair Bolsonaro ou no Flávio Bolsonaro apesar desses escândalos. Muita gente vota por causa disso", afirmou.

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Para a colunista, é preciso entender que há "uma parcela da sociedade brasileira pra qual vale qualquer coisa pra derrotar o Lula". Ela disse não achar que a motivação seja fiscal, nem que essas pessoas acreditem que Lula é corrupto. "Eu acho que existe um ódio de classe em relação ao Lula que é muito arraigado e que todas essas coisas servem de munição e de pretexto pra isso", disse.

Vera defendeu que o PT, o presidente, a imprensa e os analistas da eleição compreendam a raiz desse antipetismo. "Tanto o PT quanto o Lula, quanto a gente e todo mundo que analisa a eleição tem que entender um pouco da raiz desse antipetismo", afirmou.

Tolerância nos primeiros governos

A colunista disse que Lula foi tolerado nos dois primeiros mandatos e na eleição de Dilma Rousseff, período em que, segundo ela, houve "um crescimento econômico muito grande", redução da desigualdade e ganhos para muita gente. "Muita gente ganhou dinheiro também nos governos dele", afirmou.

Na avaliação de Vera, os episódios do Mensalão e, principalmente, do Petrolão fizeram esse antipetismo "visceral" aflorar de novo. Ela ligou o sentimento à origem de Lula e à lógica do "nós contra eles". A ascensão da direita, disse, "deu um palanque" a essas pessoas.

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No cenário

A rejeição aos dois principais candidatos está no mesmo patamar. Na 15ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (21), 49% dos eleitores disseram que não votariam em Lula de jeito nenhum, e 50%, que não votariam em Flávio Bolsonaro.

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