O resistente antipetismo que ainda assombra a campanha de Lula
O Planalto usou as inaugurações e anúncios para melhorar a imagem do governo e amenizar a rejeição ao partido. Mais da metade dos eleitores, porém, ainda considera que o presidente não merece o quarto mandato
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Em uma eleição polarizada, com Lula e Flávio Bolsonaro mais de 30 pontos percentuais distantes dos demais pré-candidatos ao Planalto, a batalha entre as rejeições se torna potencialmente decisiva para o resultado nas urnas. Na tentativa de conquistar o quarto mandato de presidente, Lula ainda esbarra em um persistente sentimento de resistência ao PT, seu partido, que permanece como uma das maiores forças contrárias à reeleição.
Na esteira da Operação Lava Jato, o antipetismo foi determinante para a derrota de Fernando Haddad para Jair Bolsonaro em 2022 e, quatro anos depois, dificultou a vitória de Lula. Como forma de driblar a aversão ao PT, o presidente investiu pesadamente nos últimos meses em pautas com poder de melhorar a avaliação do governo. O Planalto conseguiu um relativo sucesso com o lançamento do Desenrola 2, programa de refinanciamento de dívidas, com a isenção do pagamento de IR para pessoas que recebem até R$ 5 mil, e com a defesa da redução da jornada de trabalho.
Essas iniciativas e a briga com os Estados Unidos por causa do tarifaço, elevaram a aprovação (48%) do governo, que pela primeira vez superou, ainda que apenas numericamente, a desaprovação (47%), segundo uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana. No entanto, mais da metade dos entrevistados (51%) ainda acha que Lula não merece um novo mandato, enquanto 45% pensam o contrário.
A mesma consulta indicou que Lula conseguiu crescer bastante entre eleitores que se declaram independentes. Em maio, ele marcava 29% das intenções de votos em um eventual segundo turno contra Flávio. Em junho, esse percentual subiu para 37% e, em julho, foi para 40%.
Mudanças na comunicação
Integrante da coordenação da campanha de Lula, o ex-ministro Gilberto Carvalho analisa os dados com o cuidado de não entrar na “onda do já ganhou” e de não afastar o fantasma do antipetismo. Mas vê sinais de melhora diante de mudanças feitas na comunicação dos feitos do governo, que passou a ser atrelada às inaugurações com a participação do presidente.
Com isso, Lula conseguiu capitalizar algumas ações que, no modelo anterior, poderiam ser apresentadas por prefeitos da oposição. “Isso deu resultado, mas a pesquisa é um retrato do momento”, ressaltou o ex-ministro em conversa com o PlatôBR.
Para Carvalho, o dado mais importante da pesquisa é o que demonstra a virada na avaliação do governo. Desde o ano passado, Lula tem dito aos seus ministros e auxiliares que não queria entrar na fase de campanha com a avaliação positiva de seu governo abaixo da negativa. O resultado divulgado às vésperas da convenção do partido foi motivo de comemoração.
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Desde o dia 4 de julho, entrou em vigor o período de “defeso eleitoral” que proíbe as inaugurações. Com isso, a estratégia a ser adotada será outra. Durante o dia, no horário do expediente, Lula deverá fazer visitas a obras já entregues nos estados e falar das políticas públicas. À noite, se dedicará a comícios nesses locais.