No momento mais crítico da campanha pela reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca em Minas Gerais hoje. Após ver a vantagem sobre o seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), desidratar em grande parte das pesquisas de intenção de voto, o petista retorna ao estado que tem histórico de pêndulo nacional e pode voltar a ser decisivo em uma disputa que promete ser apertada. Nas últimas disputas presidenciais, quem venceu em Minas Gerais nas urnas venceu no Brasil também.

Lula estará em Montes Claros, no Norte de Minas, para uma caminhada marcada para começar às 17h na região do bairro Maracanã. Ao lado dele, estarão o candidato ao governo Patrus Ananias (PT) e as candidatas ao Senado Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (Psol), além de lideranças locais, como a deputada estadual Leninha, presidente estadual do PT e natural de Montes Claros, onde teve 12,44% dos votos na última eleição.

Também chegou a ser programada e até divulgada por algumas lideranças petistas uma visita de Lula a Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, hoje à tarde. No entanto, a campanha cancelou o ato devido a questões de logística, já que o aeroporto de Teófilo Otoni não comporta a aeronave que tem transportado o presidente.

Segundo a pesquisa Quaest divulgada no último dia 8, Flávio está numericamente à frente do presidente entre o eleitorado mineiro em um eventual segundo turno. O candidato do PL marcou 40% das intenções de voto, contra 37% de Lula. A diferença ainda está na margem de erro, mas preocupa petistas por mostrar uma tendência negativa. Nos quatro levantamentos feitos pela Quaest em Minas desde agosto, Lula só caiu: foi de 42% para 37%. Já Flávio Bolsonaro teve crescimento expressivo: pulou de 33% para 40%.

A tendência mineira acompanha o retrato nacional. Na Quaest divulgada nessa segunda-feira (14/9), Flávio aparece na frente do presidente pela primeira vez desde abril, marcando 42% contra 40% no segundo turno. Outra vez, a pequena diferença representa empate técnico, mas acende alerta na campanha petista a 16 dias do primeiro turno da eleição.

A variação é vista por analistas como uma reação às revelações do envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o escândalo do Banco Master. Pelo papel desempenhado pelo ministro Alexandre de Moraes no julgamento da tentativa de golpe de Estado comandada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, parte do eleitorado o associaria ao grupo político de Lula.

Soma-se a isso uma revolta generalizada contra o poder público pelas associações do banqueiro Daniel Vorcaro em diversas frentes, possivelmente materializada no chefe do Executivo federal, como representante máximo da República, mesmo que as investigações não tenham apontado relação dele com o esquema.

Outro episódio negativo para a imagem de Lula foram os vazamentos sobre a atuação da lobista Roberta Luchsinger, amiga e sócia de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, primogênito do presidente. Lulinha virou alvo de investigação da Polícia Federal por suposto tráfico de influência para favorecer Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, em negócios com o Ministério da Saúde.

Além disso, o chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, se demitiu no mês passado em meio a acusações de envolvimento com Roberta Luchsinger.

Retorno a Minas

É neste contexto que Lula agendou a terceira visita a Minas Gerais durante a campanha eleitoral. Nas duas primeiras, fez campanha apenas em Belo Horizonte, com comício na Praça da Estação, no Centro da capital, e evento com mulheres na Serraria Souza Pinto, na mesma região.

Por outro lado, Flávio Bolsonaro já passou pelo interior com ato em Juiz de Fora, na Zona da Mata, em 9 de setembro. O comício era para ter ocorrido logo no início da campanha, como alusão ao pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que sofreu uma facada na cidade quando disputava a reelição em 2018, mas foi adiado devido ao mau tempo.

Agora, Lula vai ao Norte do estado, onde o PT historicamente é bem votado, apesar de Montes Claros, maior cidade da região, não ser um bom retrato desse apoio. Lá, Jair Bolsonaro bateu os candidatos petistas nas eleições de 2018 e 2022. Porém, ao contar todo o Norte de Minas, que tem 89 municípios, Lula teve 62,46% dos votos na última eleição, contra 37,54% de Bolsonaro.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Em toda Minas Gerais, único estado do Sudeste onde Lula venceu, o petista ganhou por uma margem de menos de 50 mil votos, por 50,2% a 49,8%. Lula venceu mo Campo das Vertentes, mo Vale do Jequitinhonha, mo Norte, mo Vale do Mucuri e na Zona da Mata. Enquanto Jair Bolsonaro conquistou oito dos 10 maiores colégios eleitorais e foi vitorioso nas regiões Central, Metropolitana de Belo Horizonte, Noroeste, Oeste, Sul/Sudoeste, Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba e Vale do Rio Doce.

compartilhe