Na análise do economista Joel Pinheiro, comentarista político da “GloboNews”, a ala do Supremo Tribunal Federal (STF) próxima ao ministro Alexandre de Moraes atuou para “melar” o processo contra ele, e o pedido de vista de Flávio Dino foi “uma grande pizza”.

Diante de uma discussão entre Gilmar Mendes e André Mendonça, Dino reclamou da realização da sessão no momento de crise da Corte e pediu vista como recurso para paralisar o tenso julgamento. Agora, ele tem até 90 dias para declarar uma posição.

“O que a gente viu foi, na pior tradição do direito brasileiro, uma ala do Supremo conseguir melar absolutamente essa discussão com questões de ordem, algumas completamente improcedentes”, analisou Joel Pinheiro.

'Tapa na cara'

Ele chegou a dizer que a sessão foi um “tapa na cara”. A Corte não chegou a discutir de fato se Moraes será investigado ou não pela relação com Daniel Vorcaro. Em vez disso, julgou se o processo contra ele deveria ser analisado junto ao processo contra André Mendonça.

“O pedido de investigação do ministro André Mendonça, que foi inicialmente feito de ofício pelo ministro Alexandre de Moraes, se baseia integralmente num relatório que, em suas próprias palavras, não tem valor probatório. Portanto, é um pedido sem base evidencial alguma. E isso quer ser botado junto, porque de alguma maneira, a ala do Alexandre de Moraes entende que isso aumenta as chances de impedir a investigação do ministro Alexandre de Moraes”, avaliou o economista.

Pinheiro disse que Dino “desrespeitou desde o início” o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo, ao interromper diversas falas sem autorização.

“Conseguiram basicamente sequestrar a reunião. E quando viram que iriam perder, o ministro Flávio Dino pede vistas e joga para um futuro incerto, pós-eleições, pós-tudo, entregando para população brasileira, portanto, uma grande pizza. O que a população vai fazer com isso, a gente vai descobrir”, completou.

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Foram três votos a favor (Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes) e quatro contrários (Edson Fachin, Luiz Fux, André Mendonça e Cármen Lúcia) a unir os processos. Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam, respectivamente, impedido e suspeito, e não votaram.

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