O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, em entrevista ao SBT na noite desta quinta-feira (10/9), que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sejam punidos caso tenham cometido crimes. Ele citou os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça e Edson Fachin como exemplos.
“Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar; se o Mendonça é culpado, tem que pagar; se o Fachin é culpado, tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da nossa Constituição”, disse.
Lula afirmou que “todos que tiverem suspeita de ter cometido qualquer equívoco têm que ser investigados”, inclusive os ministros. A crise escalou na semana passada com a revelação de mais mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Os diálogos vieram à tona após o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, quebrar o sigilo da investigação. Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques também enfrentam acusações de envolvimento com o esquema do Master.
“Tem que fazer a abertura do sigilo de todo mundo para colocar todo mundo nu diante da sociedade brasileira para ver se a Suprema Corte recupera a sua credibilidade e pune quem tiver que punir”, avaliou o presidente. “Eu não gosto de investigação sigilosa. Se tiver que fazer investigação é melhor você tornar público o que está acontecendo para você poder acusar as pessoas. O que você não pode é ficar soltando meias informações com meias palavras, tirando suspeita sobre todo mundo sem dizer quem é que é o culpado”, completou.
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Presidente da Corte, Edson Fachin tenta contornar a situação. Após ser “atropelado” por decisões contraditórias de Moraes, Mendonça e Flávio Dino, marcou uma sessão plenária para 15 de setembro, em que o caso deve ser passado a limpo. Ele também suspendeu uma decisão de Mendonça que tinha afastado o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e tirou o Inquérito das Fake News das mãos de Moraes.
Lula avaliou positivamente as decisões, mas espera mais: “Acho que o Fachin tomou a atitude correta. Não terminou de tomar as atitudes, eu espero que ele faça mais coisas para colocar ordem na casa e devolva a credibilidade que o povo brasileiro sempre teve na Suprema Corte”. “Todo mundo tem que ser investigado. Do presidente da Suprema Corte ao presidente da República. Do mais simples catador de papel ao mais rico empresário”.
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O presidente ainda comentou a queda que sofreu nas pesquisas em meio à crise: criticou o que chamou de “vazamentos seletivos” e a politização de decisões judiciais. “Uma apuração feita pela Suprema Corte não deveria impactar no processo eleitoral. Deveria ser vista como uma coisa natural. Entretanto, quando chega na época de política, as pessoas começam a fazer determinado tipo de vazamento seletivo que têm um viés político e isso causa prejuízo político e causa prejuízo inclusive à credibilidade da instituição”, completou.
