CRISE NO STF

Nikolas chama diretor da PF de ‘tirano’ e defende Mendonça: ‘É só o começo’

Parlamentar relacionou o afastamento a supostas conversas com Daniel Vorcaro e afirmou que outras medidas contra envolvidos no caso devem ocorrer até as eleições

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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) definiu o diretor-geral da Polícia Federal (PF) Andrei Rodrigues como “tirano” e defendeu a decisão de afastá-lo feita pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (8/9).

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Andrei Rodrigues teve afastamento cautelar definido em decisão divulgada nesta terça, como também o diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. Mendonça justifica a decisão com indícios de irregularidades na produção de relatórios atribuídos à estrutura de inteligência da corporação. 

Na decisão, Mendonça detalha uma possível falha no cumprimento das regras internas que disciplinam a atividade de inteligência policial e estabelecem limites para a coleta, análise e disseminação de informações. Para o ministro, a permanência dos dois delegados nos cargos poderia comprometer a apuração, devido às funções que exercem e à relação deles com os fatos investigados. O afastamento tem caráter cautelar e busca impedir eventual acesso privilegiado a sistemas, informações e estruturas que possam interferir nas investigações.

Em publicação nas redes sociais, o parlamentar escreveu o desejo que "todos os tiranos caiam" e argumentou que a decisão do ministro tem relação com supostas conversas entre Andrei e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que é investigado por fraudes bilionárias, e que foi tomada para que o diretor da PF não possa fazer uma “utilização indevida das prerrogativas funcionais”.

“Isso é só o começo, e eu não tenho dúvidas que todo envolvimento criminoso com o Vorcaro, todo envolvimento criminoso com o maior esquema fiscal do país, da história desse país, quem estiver envolvido tem que pagar”, afirmou.

Nikolas citou manifestação feita na Avenida Paulista, na segunda-feira (7/9), que contou com pedido de impeachment do também ministro Alexandre de Moraes e disse que "muita coisa vai acontecer" até as eleições de outubro. “Graças a Deus, ontem nós não somente dizemos que Alexandre de Moraes cairá, mas também demos toda a força para André Mendonça, que pode ter certeza, até dia 4 de outubro, muita coisa vai acontecer. Mas, André Mendonça, o povo de bem do Brasil está com você”, declarou.

O deputado repetiu que “o Brasil de bem” está com André Mendonça em outra postagem. Em texto direcionado aos apoiadores da legenda bolsonarista, Nikolas afirma que eles “fizeram parte dessa mudança do país” e que a força deles “vai continuar dando sustentação para que o bem vença”.

Nikolas e Vorcaro

Apesar da crítica aos envolvidos com Daniel Vorcaro, Nikolas também foi citado em relatórios da PF sobre um suposto relacionamento com o ex-banqueiro. Em diálogo de abril de 2024, divulgado pelo ICL Notícias, o empresário afirmou ter bancado “todos os voos” do parlamentar. As mensagens não deixam claro quantos voos teriam sido pagos por Vorcaro ou a qual período essas viagens teriam acontecido. 

Uma viagem já foi sinalizada como paga pelo dinheiro do Master. No segundo turno das eleições de 2022, Nikolas usou um jato de Vorcaro para participar de ações de campanha em apoio ao então presidente Jair Bolsonaro (PL), pelo período de dez dias. Após a revelação da propriedade da aeronave, feita em março pela jornalista Malu Gaspar, do O Globo, o parlamentar disse não saber quem era o dono quando aceitou o convite.

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Em outra troca de mensagens, desta vez entre Nikolas e Vorcaro, o parlamentar teria pedido ajuda para a liberação de um ativo de minério, a pedido de Thiago Faria, "amigo irmão", advogado e ex-assessor do parlamentar ligado a empresas investigadas na Operação Rejeito. O acordo minerário estabelecia pagamento de 25% do lucro de uma operação estimada entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões (o que representa, na cotação atual, um valor entre R$ 153 milhões e R$ 229 milhões). Posteriormente, ele publicou um laudo falso da PF que determinava que as mensagens não tinham indício de crime, mas depois apagou.

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