ELEIÇÕES

O que pensam os candidatos à Presidência sobre o fim da escala 6x1

Debate sobre a jornada semanal divide presidenciáveis; proposta que reduz horas de trabalho para 40h semanais avança agora no Senado

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A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 se tornou um dos temas mais decisivos da campanha eleitoral de 2026, dividindo os presidenciáveis entre defensores da redução da jornada semanal e aqueles que apostam na flexibilização das relações trabalhistas.

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O debate ganhou força depois que a Câmara dos Deputados aprovou, em maio, a PEC 221/2019, que reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário, garantindo dois dias de descanso por semana. O texto avança agora no Senado, onde a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) vota a matéria nesta quarta-feira (2), com parecer favorável do relator, senador Omar Aziz (PSD-AM). Se aprovada na comissão, a proposta pode seguir diretamente ao Plenário ainda no mesmo dia.

A versão que chegou ao Senado é menos ampla do que a proposta original, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol), que previa uma jornada de 36 horas distribuída em quatro dias. Ainda assim, o tema se transformou em uma das principais linhas de corte ideológico entre os candidatos ao Palácio do Planalto.

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Lula transformou a pauta em bandeira de campanha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o candidato que mais associou diretamente sua candidatura à aprovação da mudança. Ele defende os dois dias de descanso semanal e sustenta que a redução da jornada pode ser feita sem diminuição dos salários. Em maio, diante de empresários da construção civil, afirmou que o setor produtivo não deveria temer a proposta, embora reconheça que a mudança precisa considerar as particularidades de cada atividade econômica.

O governo chegou a lançar campanha publicitária tratando o tema como uma questão de qualidade de vida e saúde dos trabalhadores, e Lula tem cobrado publicamente a eleição de uma bancada parlamentar alinhada para garantir a aprovação da PEC no Senado.

Flávio Bolsonaro aposta na flexibilização e no pagamento por hora

Do lado oposto está Flávio Bolsonaro (PL), que classificou o debate como "inoportuno e eleitoreiro" e alertou para o risco de "desemprego em massa" caso a redução da jornada seja aplicada de forma generalizada. Como alternativa, defende uma flexibilização da CLT que permita remuneração por hora trabalhada, preservando direitos como 13º salário, FGTS e férias de forma proporcional às horas efetivamente trabalhadas.

Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico da campanha, reforçou essa posição ao chamar o debate sobre o fim da 6x1 de populista e defender maior liberdade contratual entre empregadores e trabalhadores.

Renan Santos chama a proposta de "farsa"

Renan Santos (Missão) adotou o discurso mais duro entre os presidenciáveis. Durante evento com representantes do comércio em Brasília, afirmou ser o único candidato a discursar abertamente contra o fim da 6x1 e chamou a proposta de "maluquice".

No primeiro debate presidencial, promovido pela Band, repetiu a posição classificando a PEC como "farsa e uma mentira", argumentando que a redução obrigatória da jornada pode levar ao fechamento de empresas. Assim como Flávio Bolsonaro, defende a contratação por hora como alternativa ao modelo atual e chegou a propor, no mesmo evento, o fim da Justiça do Trabalho.

Zema defende liberdade de escolha nas escalas

Romeu Zema (Novo) também se posiciona a favor da flexibilização, ainda que com discurso menos centrado diretamente na PEC. Em agenda de campanha na região da 25 de Março, em São Paulo, afirmou que os trabalhadores deveriam ter mais liberdade para escolher suas escalas de trabalho, defendendo acordos diretos entre empregados e empresas. A posição é coerente com a plataforma econômica do candidato, que prevê menor interferência estatal nas relações trabalhistas.

Caiado mudou de posição durante a campanha

Ronaldo Caiado (PSD) foi o candidato que mais oscilou sobre o tema. Em 19 de agosto, durante evento da Confederação Nacional do Transporte, classificou a PEC como populista e evitou dizer se apoiava ou não a mudança. Dois dias depois, em visita ao Mercado Municipal de São Paulo, voltou a defender que a decisão deveria ser negociada entre trabalhadores e empresários. No dia 22 de agosto, porém, respondeu de forma direta a uma pergunta sobre o tema: "Sim, sou a favor", declarou, sem detalhar qual modelo de redução apoiaria.

Augusto Cury defende a escala 5x2

Augusto Cury (Avante) se posicionou favoravelmente à mudança, defendendo especificamente a substituição da 6x1 pela escala 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso. Durante o debate da Band, ao responder às críticas de Renan Santos, argumentou que as condições de trabalho precisam levar em conta o desgaste físico e emocional dos empregados, citando casos de burnout como justificativa para a mudança.

Outras candidaturas também defendem o fim da escala

Samara Martins (Unidade Popular) inclui o fim da 6x1 entre suas bandeiras trabalhistas, ao lado de propostas como o aumento de 100% do salário mínimo e a isenção de impostos para a categoria trabalhadora. Clariana Barão (Democracia Cristã), primeira candidata do partido a disputar a Presidência fora da liderança histórica de José Maria Eymael, também declarou apoio à mudança durante entrevista ao Poder360.

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Um tema que já é oficialmente eleitoral

A divisão entre os presidenciáveis coloca o modelo de jornada de trabalho no centro da disputa de 2026, ao lado de outros temas econômicos e sociais. Enquanto o Senado aprofunda a discussão nas comissões antes de levar a matéria ao plenário, o resultado da eleição presidencial pode definir o ritmo e o desenho final da mudança nas relações de trabalho no país.

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