A mobilidade urbana foi um dos principais temas do encontro entre os candidatos ao governo de Minas Gerais, promovido pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel) nesta quinta-feira (20/8). Durante o debate, os participantes apresentaram propostas para enfrentar problemas da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e divergiram sobre as soluções para as demandas da população.

Os candidatos foram questionados sobre cinco temas: falta de vagas nos hospitais regionais, transporte metropolitano, serviços essenciais, população em situação de rua e déficit habitacional e planejamento urbano.

Ao longo do encontro, Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB), Mateus Simões (PSD), Patrus Ananias (PT) e Túlio Lopes (PCB) apresentaram suas propostas para cada uma das áreas. Cleitinho (Republicanos) não respondeu ao convite para participar do encontro. Ben Mendes (Missão), que inicialmente havia confirmado presença, cancelou a participação por compromissos pessoais.

A integração do transporte público apareceu entre os principais pontos de convergência do debate, embora os candidatos tenham apresentado propostas diferentes para enfrentar os problemas de mobilidade da Grande BH. Gabriel Azevedo defendeu a criação de uma tarifa única para o transporte metropolitano e afirmou que a integração entre os municípios deve ser uma prioridade de um eventual governo.

Segundo Azevedo, a região precisa ser administrada de forma integrada, não apenas na área de transporte. “Nós temos que tratar nossa metrópole de maneira integrada, não só no transporte, mas como na região”, ponderou. Ele ainda defendeu o aproveitamento de linhas férreas abandonadas para criar um sistema ferroviário metropolitano.

Patrus Ananias também defendeu a integração entre os municípios da Grande BH. O candidato do PT afirmou que a proximidade entre as cidades faz com que problemas como transporte, saúde, educação e desenvolvimento econômico ultrapassem os limites administrativos de cada município. “O nosso compromisso no governo de Minas é consolidarmos esses desejos [de integrar a região metropolitana].”

Mateus Simões, por sua vez, afirmou que a integração do transporte está entre os principais desafios metropolitanos e citou ações realizadas durante sua gestão ao lado do ex-governador Romeu Zema (Novo). “Nós criamos um modelo junto com o Banco Mundial para o transporte metropolitano direto pelo Estado, [...] para que a gente tenha um sistema unificado na gestão do que é o transporte dentro de cada uma das cidades e do transporte de uma para outra.”

O candidato à reeleição também destacou investimentos em infraestrutura de mobilidade, como a expansão do metrô e a implantação do Rodoanel Metropolitano. Segundo Simões, a nova via terá como principal função retirar o transporte de cargas do Anel Rodoviário, contribuindo para reduzir acidentes e melhorar a circulação na Região Metropolitana.

Já Túlio Lopes apresentou uma proposta diferente para a gestão do transporte. O candidato do PCB defendeu maior participação do poder público no sistema e propôs a criação de uma empresa pública de transporte metropolitano, com participação do governo estadual e das prefeituras. Ele ainda defendeu o passe livre para estudantes, além da retomada dos trens de passageiros na Grande BH. “Os estudantes precisam ter acesso à cultura, ao esporte, ao lazer e as tarifas muito caras que impedem esse direito de ir e vir, principalmente do acesso à educação e cultura", disse.

Em outra perspectiva, Flávio Roscoe relacionou a melhoria da mobilidade à capacidade de investimento do Estado. O candidato do PL afirmou que pretende “destravar o Estado em 90 dias” para ampliar a capacidade de investimento e citou a infraestrutura entre as áreas que poderiam ser beneficiadas. “Nós prometemos destravar o Estado em 90 dias, porque a única solução para ter recursos é que a gente gere riqueza nesse Estado”.

Saúde

Já a falta de vagas nos hospitais foi tratada pelos candidatos a partir de diferentes estratégias, que passaram por prevenção, ampliação da estrutura hospitalar, fortalecimento do serviço público e descentralização do atendimento. Também houve divergências sobre a prioridade entre investimentos na Região Metropolitana e no interior, como forma de reduzir a pressão sobre as unidades da Grande BH.

Gabriel defendeu o fortalecimento das políticas de prevenção para evitar que problemas de saúde de menor gravidade evoluam para casos que demandem atendimento hospitalar. O candidato do MDB propôs maior integração dos dados de saúde, além do uso de telemedicina. “A partir do momento em que a gente começa a cobrir esses degraus invisíveis, a gente começa a garantir que não haja superlotação, a garantir que não haja uma pressão na rede.”

Túlio Lopes defendeu o fortalecimento da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), a expansão dos serviços do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) para outras regiões e a valorização dos profissionais da saúde. O candidato do PCB também cobrou a conclusão de hospitais regionais e defendeu parcerias entre Estado e municípios para ampliar o atendimento de emergência. Ao finalizar, ressaltou que o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e do serviço público deve ser prioridade do governo.

Simões, por outro lado, destacou investimentos feitos durante a atual gestão e afirmou que a Região Metropolitana passou de 16 para 30 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). O candidato citou ainda a conclusão e construção dos hospitais regionais como estratégia para reduzir o fluxo de pacientes para a Grande BH. “O nosso problema está em obras que estavam paradas ou que precisavam de manutenção, daí a prefeitura muitas vezes precisa de apoio para isso", pontuou.

Flávio Roscoe defendeu a descentralização do atendimento para reduzir a pressão exercida por pacientes do interior sobre a rede da Região Metropolitana. O candidato do PL afirmou que o Estado deve priorizar investimentos em infraestrutura de saúde fora da Grande BH e ampliar a produtividade da rede por meio da tecnologia e da prevenção.

Finalizando a rodada de saúde, Patrus Ananias defendeu o fortalecimento do SUS e uma atuação conjunta entre os governos federal, estadual e municipais. O candidato do PT também destacou a prevenção como estratégia de saúde pública, com políticas relacionadas à segurança alimentar, meio ambiente, áreas verdes e qualidade de vida nas cidades. “O primeiro compromisso é de implementarmos com vigor em Minas as políticas públicas relacionadas com a saúde pública que tem no SUS a sua referência", destacou.

População de rua

Para a população em situação de rua, Patrus defende a articulação com o governo federal e a ampliação de programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida. “É um grande programa que me garante uma moradia digna para as famílias que lutam com maiores dificuldades", avaliou. Ele também propôs espaços de acolhimento com atendimento médico, acompanhamento e políticas de reinserção social.

Flávio Roscoe, na sequência, defendeu soluções habitacionais próximas aos locais onde as pessoas já vivem, com regularização urbana e revisão dos planos diretores para permitir novos empreendimentos. A proposta, segundo ele, também reduziria deslocamentos e custos de infraestrutura. “Minha Casa, Minha Vida existe. O que não existe, muitas vezes, é a pessoa que queria morar na Minha Casa, Minha Vida, 40, 50 km daqui", defendeu.

Para o grupo vulnerável, Mateus Simões citou ações do governo estadual de regularização fundiária, adaptação de moradias e construção de habitações populares. Também defendeu o ampliar o raio de verticalização no entorno das estações de metrô, a continuidade da regularização de imóveis e modelos de aluguel social e parcerias público-privadas para ampliar a oferta habitacional.

Túlio Lopes, em seguida, teceu críticas às políticas da atual gestão. “O atual governo do vice do Zema não construiu nenhuma moradia popular em Minas Gerais nos últimos anos. O déficit habitacional foi crescendo. Moradia popular, nenhuma foi construída nos últimos anos", disparou. Para a população em situação de rua, propôs políticas sociais estruturantes, com acesso à moradia e aos serviços públicos.

Gabriel Azevedo, assim como Simões, também propôs maior ocupação no entorno das estações de metrô e citou o aluguel social e modelos de habitação social como alternativas à política tradicional de conjuntos habitacionais afastados dos centros urbanos. Ele também citou o adensamento urbano e o aproveitamento de áreas vazias e imóveis subutilizados para ampliar a oferta habitacional. “Nós não estamos falando de empregabilidade, não estamos falando de emprego, nós estamos falando de um teto", finalizou.

Serviços essenciais

Na discussão sobre serviços essenciais, Gabriel Azevedo defendeu fiscalização permanente e uma mesa de diálogo entre Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), governo estadual e municípios para acompanhar interrupções e a qualidade dos serviços. Também cobrou maior transparência sobre as causas de problemas no abastecimento.

Túlio Lopes criticou as privatizações e defendeu o fortalecimento das empresas públicas, com água e energia tratadas como serviços públicos, e “não como mercadorias”. Mateus Simões destacou investimentos previstos para ampliar a segurança hídrica e o saneamento na Região Metropolitana. Já Flávio Roscoe avaliou que a principal questão deve ser a eficiência dos serviços, independentemente de a empresa ser pública ou privada. Na sequência, Patrus Ananias se posicionou contra a privatização da Copasa e da Cemig e defendeu a manutenção dos serviços essenciais sob forte controle público.

Planejamento urbano

No último tema, os candidatos defenderam maior integração entre os 34 municípios da Região Metropolitana. Patrus Ananias defendeu a articulação entre prefeitos, vereadores, empresários, sindicatos e movimentos sociais para construir um planejamento metropolitano conjunto e integrar políticas públicas.

Roscoe propôs um plano diretor integrado para a região, voltado à racionalização dos investimentos públicos e no adensamento urbano. Simões defendeu que o governo estadual atue como facilitador da integração, em acordo com os municípios.

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Já Túlio Lopes defendeu um planejamento urbano voltado às demandas populares, com participação de universidades e instituições de pesquisa, além da ampliação de políticas de moradia e mobilidade. Fechando o encontro, Gabriel Azevedo propôs o uso da chamada “trama azul-verde”, com preservação de rios, áreas verdes e fundos de vale como parte do planejamento metropolitano.

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