ELEIÇÕES 2026

Mulheres perdem espaço na disputa pelo governo de Minas em 2026

Apenas uma mulher está entre os 11 candidatos ao Palácio Tiradentes. No Senado, participação feminina se mantém próxima a de eleições anteriores

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A eleição para o governo de Minas Gerais terá apenas uma mulher entre os 11 candidatos ao Palácio Tiradentes em 2026. Com o encerramento do prazo para registro das candidaturas no último sábado (15/8), Indira Xavier, da Unidade Popular (UP), ficou como a única representante feminina na disputa, que reúne ainda 10 homens.

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O número representa uma redução em relação a 2022, quando cinco mulheres concorreram ao cargo - o maior quantitativo da década. A participação feminina, que correspondia à metade das candidaturas ao governo mineiro no último pleito, passa a representar 9,1% dos concorrentes neste ano. Em 2022, eram 10 candidatos no total.

O quadro de 2026 é formado pelo governador Mateus Simões (PSD), que busca a reeleição; pelos ex-prefeitos de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT); pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos); pelo presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL); pelo ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB); além de Túlio Lopes (PCB), Ben Mendes (Missão), Rafael Duda (PSTU), Henrique Áreas (PCO) e Indira Xavier (UP).

A baixa presença feminina também se repete na composição das chapas. Apenas três dos 11 candidatos têm mulheres como vices: Flávio Roscoe, que tem Ellen Miziara (PL); Gabriel Azevedo, com Maria Helena (MDB); e Rafael Duda (PSTU), que tem a professora Diana de Cássia (PSTU). Nos três casos, as candidaturas são de chapa pura, com os dois nomes pertencentes ao mesmo partido.

Indira Xavier tem mais de 20 anos de militância em movimentos estudantis, populares, sindicais e de defesa das mulheres. Foi candidata da UP à Prefeitura de Belo Horizonte em 2024 e já havia disputado o governo de Minas em 2022. Ela também atua na Casa de Referência da Mulher Tina Martins.

A predominância masculina nas candidaturas ao Executivo estadual reforça o histórico de baixa participação feminina na disputa pelo governo de Minas Gerais, apesar do avanço do debate público sobre representatividade de gênero na política. Além disso, a presença de apenas uma mulher neste ano interrompe o movimento observado na eleição anterior e retoma o patamar registrado em outros pleitos recentes.

Em 2018, 2014 e 2010, Minas teve uma única candidata ao governo em cada eleição. O cenário de 2022, contudo, havia representado uma exceção nessa trajetória, quando, além de Indira, outras quatro mulheres disputaram o Palácio Tiradentes, fazendo com que a participação feminina chegasse a 50% das candidaturas, embora nenhuma das cinco candidatas tenha sido eleita.

A legislação eleitoral determina que os partidos reservem ao menos 30% das candidaturas para mulheres, sob pena de sanções como a cassação do registro, a inelegibilidade de candidatos e a anulação dos votos obtidos. A regra, no entanto, se aplica apenas às eleições proporcionais, como as de vereadores e deputados, não abrangendo a disputa para o Executivo. Até hoje, Minas Gerais nunca elegeu uma mulher para o cargo de governadora.

Senado mantém participação feminina

No Senado, o cenário é um pouco diferente. Das 17 candidaturas registradas para as duas vagas em disputa por Minas Gerais em 2026, quatro são de mulheres, o equivalente a 23,5% do total. Embora a presença feminina ainda seja minoritária, o percentual é próximo ao observado nos últimos pleitos para a Casa. As candidatas neste ano são Ana Luiza, do Movimento de Luta nos Bairros (MLB), pela UP; Áurea Carolina, do Psol; Marília Campos, do PT; e Victória Mello, do PSTU.

Em 2022, quando Minas elegeu apenas um senador, duas das nove candidaturas eram femininas, o equivalente a 22,2%. Naquele ano, concorreram ao cargo Alexandre Silveira, Bruno Miranda, Cleitinho - eleito naquele ano -, Dirlene Marques, Irani Gomes, Marcelo Aro, Naomi de Almeida, Pastor Altamiro Alves e Sara Azevedo.

Em 2018, três das 14 candidaturas ao Senado eram de mulheres, ou 21,4% do total. Naquele pleito, estavam na disputa Dilma Rousseff, Duda Salabert e Vanessa Portugal. A candidatura de Ana Alves, do PCO, foi desconsiderada por estar inapta.

Em 2014, o percentual chegou a 25%, quando duas mulheres concorreram entre oito candidatos: Graça e Margarida Vieira. Em 2010, apenas Marilda Ribeiro apareceu entre os candidatos considerados aptos (10 nomes), o equivalente a 10%. Já em 2006, Maria da Consolação também foi a única mulher entre os 10 nomes registrados.

Baixa presença também na disputa presidencial

A redução da presença feminina não se restringe à eleição mineira. Na disputa pela Presidência da República, apenas duas mulheres estão entre os 13 candidatos oficializados, o equivalente a 15% do total. As candidatas são Clariana Barão, do Democracia Cristã (DC), e Samara Martins, da Unidade Popular (UP). Segundo a última pesquisa Quaest, Clariana não pontuou, enquanto Samara aparece com 1% das intenções de voto.

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A representatividade deste ano também fica abaixo do registrado em 2022, quando quatro mulheres disputaram o Palácio do Planalto, o maior número de candidatas à Presidência desde a redemocratização. Naquele ano, participaram da eleição Simone Tebet, Soraya Thronicke, Sofia Manzano e Vera Lúcia.

CANDIDATOS AO GOVERNO EM 2026 (1 mulher em 11 candidatos)

  • Alexandre Kalil (PDT)
  • Ben Mendes (Missão)
  • Cleitinho Azevedo (Republicanos)
  • Flávio Roscoe (PL)
  • Gabriel (MDB)
  • Henrique Áreas (PCO)
  • Indira Xavier (UP)
  • Mateus Simões (PSD)
  • Patrus Ananias (PT)
  • Professor Túlio Lopes (PCB)
  • Rafael Duda (PSTU)

CANDIDATOS AO SENADO EM 2026 (2 vagas - 4 mulheres em 17)

  • Ana Luiza do MLB (UP)
  • Arcanjo Pimenta (MDB)
  • Áurea Carolina (Psol - Federação Pra Minas Gerais Voltar a Sonhar)
  • Carlin Moura (Avante)
  • Carlos Viana (PSD)
  • Domingos Sávio (PL)
  • Fidélis Alcântara (UP)
  • Gustavo Galassi (PSDB - Federação Cuidar de Minas)
  • Jordano Metalúrgico (PSTU)
  • Juíz Ramon Moreira (DC)
  • Manoel Carvalho (MDB)
  • Marcelo Aro (Federação União Progressista: União/PP)
  • Marcelo Heringer (Federação PDT - Cuidar de Minas)
  • Marco Antônio Superman (Novo)
  • Marília Campos (Federação Pra Minas Gerais Voltar a Sonhar)
  • Tião Pessoa (PCO)
  • Victória Mello (PSTU)

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