Eleitorado jovem de Minas Gerais encolhe desde 2010
Jovens de 16 a 24 anos passaram de 17,5% para 10,8% do eleitorado mineiro em 16 anos; no Brasil, grupo caiu de 18,2% para 12,1%
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A participação dos jovens de 16 a 24 anos no eleitorado de Minas Gerais caiu de 17,5% em 2010 para 10,7% em 2026, segundo levantamento feito pelo Estado de Minas com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em números absolutos, a soma de eleitores mineiros dessa faixa etária recuou de 2,5 milhões para 1,7 milhão no período, enquanto o eleitorado total do estado cresceu de 14,5 milhões para 16,3 milhões.
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A redução de 6,8 pontos percentuais na participação da chamada “Geração Z” ocorre mesmo com o aumento do número total de eleitores mineiros. Em 2014, os jovens de 16 a 24 anos representavam 15,2% do eleitorado de Minas e somavam 2,3 milhões de pessoas — em um universo de 15,2 milhões de eleitores. Quatro anos depois, em 2018, eram 2,1 milhões, correspondentes a 13,9% dos 15,7 milhões dos eleitores aptos a votar naquele ano. Em 2022, o número caiu para 2 milhões, ou 12,4% de 16,2 milhões.
Já entre 2022 e 2026, Minas Gerais ganhou cerca de 100 mil eleitores no total, mas perdeu aproximadamente 300 mil jovens de 16 a 24 anos. Com isso, a participação dessa faixa etária no eleitorado mineiro recuou 1,6 ponto percentual em quatro anos.
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Minas acompanha tendência nacional
O cenário mineiro acompanha uma tendência observada em todo o país. Levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, realizado a partir de dados oficiais do TSE, aponta que o número de brasileiros de 16 a 24 anos aptos a votar caiu de 24,7 milhões em 2010 para 19,2 milhões em 2026. No mesmo período, o eleitorado brasileiro passou de 135,8 milhões para 158,8 milhões.
A participação dos jovens no eleitorado nacional, segundo os dados da Nexus, caiu de 18,18% em 2010 para 12,09% em 2026. Em 2014, a Geração Z correspondia a 16,1% dos eleitores (23 milhões dentre 142,8 milhões de eleitores); em 2018, a 15,1% (22,4 milhões em 147,3 milhões); e, em 2022, a 13,3% (156,5% em 21,5 milhões). A queda proporcional é, portanto, mais acentuada em Minas Gerais do que no conjunto do país. No Brasil, a queda foi de 6,1 pontos no mesmo intervalo, enquanto em Minas foi de 6,8 pontos percentuais.
Minas também aparece entre os estados do Sudeste com menor proporção de jovens no eleitorado, ficando no mesmo patamar registrado em São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo e Paraná. O Rio de Janeiro tem 10%, enquanto o Rio Grande do Sul registra 9%. Na outra ponta, Roraima, Acre, Amapá e Amazonas têm 18% de eleitores de 16 a 24 anos, seguidos por Maranhão (17%), Pará (16%) e Tocantins (16%).
Segundo o levantamento da Nexus, a queda também é acompanhada pelo crescimento do peso eleitoral dos eleitores mais velhos. Em 2026, o Brasil terá 36,8 milhões de pessoas com 60 anos ou mais aptas a votar, contra os 19,2 milhões de eleitores de 16 a 24 anos. A pesquisa aponta que, desde 2014, o contingente de eleitores com mais de 60 anos supera o de jovens nessa faixa etária.
“Ao passo que a população brasileira envelhece, o contingente de eleitores de 16 a 24 anos diminui. O que antes representava 18% dos aptos a votar, agora são pouco mais que 10%. Em um cenário de aguda polarização, em que a eleição de 2022 foi definida por menos de 2 milhões de votos de diferença de Lula para Jair Bolsonaro, todo eleitor é estratégico. Mas a quantidade absoluta de votos dos jovens segue perdendo anualmente sua força, principalmente em comparação ao aumento de eleitores 60+”, afirma o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.
Comparecimento às urnas
Apesar da redução do peso demográfico no eleitorado, os jovens apresentaram taxa de comparecimento próxima à média geral nas últimas eleições gerais. Dos 21,5 milhões de brasileiros de 16 a 24 anos que poderiam votar em 2022, 17 milhões compareceram ao primeiro turno, o equivalente a 78,9%. A média geral de comparecimento foi de 79,1%.
Entre os jovens de 18 a 24 anos, faixa em que o voto é obrigatório, a taxa foi de 78,5%. Já entre os adolescentes de 16 e 17 anos, para quem o voto é facultativo, o comparecimento chegou a 82,9%.
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