O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já confirmou a primeira visita a Belo Horizonte após a oficialização de sua candidatura à reeleição. Na próxima sexta-feira (21/8), o presidente participa de um ato na Praça da Estação, no Centro da capital, a partir das 19h, que marca o início da mobilização eleitoral do PT em Minas Gerais.

Participam do comício Patrus Ananias (PT), candidato do partido ao governo do estado, as candidatas ao Senado Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (Psol), além de candidatos a deputado federal e estadual e lideranças ligadas à federação. Segundo a direção partidária, Lula deve desembarcar em Belo Horizonte e seguir diretamente para o ato, sem outros compromissos previstos na agenda do dia.

O presidente retorna à capital mineira em 29 de agosto para participar de um ato direcionado ao eleitorado feminino, batizado de “Mulheres com Lula”. A disputa pelo voto das mulheres é uma das frentes da campanha presidencial. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 83.877.126 mulheres estão aptas a votar nas eleições deste ano, número que corresponde a 52,84% do eleitorado nacional.

Lula já declarou que as mulheres desempenham papel central em sua campanha e colocou o combate à violência contra a mulher entre os temas prioritários de sua disputa pelo Planalto. De acordo com pesquisa Genial/Quaest, 42% das mulheres entrevistadas declararam voto no petista, contra 28% que disseram votar no senador Flávio Bolsonaro (PL).

Minas como estratégia

As visitas a Minas Gerais fazem parte da estratégia eleitoral para ampliar a presença de Lula no segundo maior colégio eleitoral do país, estado que historicamente ocupa posição central nas disputas presidenciais e é associado à máxima de que “quem ganha em Minas, ganha no Brasil”.

A direção do PT em Belo Horizonte, no entanto, ainda não informou quantas vezes o presidente deve visitar o estado durante a campanha. Lula terá de conciliar os compromissos eleitorais com a agenda institucional da Presidência da República.

Guima Jardim, presidente do PT na capital, afirma que a importância de Minas vai além do peso eleitoral e cita a presença de ativos minerais considerados estratégicos. “A soberania nacional está aqui em Minas. Os principais ativos minerais do Brasil estão aqui: nióbio, ferro e terras raras. Então, também é uma estratégia de defesa da soberania e da democracia. Não é de agora. Ele tem uma presença permanente em Minas nesses 46 anos de partido”, afirmou.

A relevância eleitoral do estado também fomenta a polarização entre os diferentes campos. Na avaliação do dirigente, a disputa não representa uma novidade na política mineira, embora os personagens envolvidos tenham mudado ao longo dos anos.

Diálogo com aliados

Questionado sobre as diferenças entre as alianças nacionais de Lula e a composição eleitoral de Patrus Ananias em Minas, Jardim afirmou que considera natural que o presidente reúna uma base mais ampla. Segundo ele, Lula atua como “símbolo da união nacional e do republicanismo”, enquanto Patrus disputa uma eleição estadual e precisa lidar com as particularidades das alianças partidárias em Minas. “O presidente Lula unificou todo o campo democrático brasileiro na sua eleição e também é natural que os partidos busquem o próprio caminho no primeiro turno”, afirmou. 

Jardim também citou as dificuldades de adaptação dos partidos ao modelo de federações partidárias. “Será a segunda eleição com federações no Brasil e muitos partidos ainda não conseguiram se adaptar a esse modelo. Para nós, é tudo tratado de forma muito natural e democrática, tanto a presença dos aliados do presidente Lula quanto o caminho que cada partido toma em suas decisões territoriais.”

Críticas ao governo de Minas

Ao comentar a relação entre o governo de Minas e o Palácio do Planalto, Guima Jardim criticou o ex-governador Romeu Zema (Novo) e o atual governador e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD). Em sua avaliação, Minas Gerais “perdeu protagonismo nacional” durante as últimas gestões. “Todos os presidentes do planeta querem conversar com Lula, até Donald Trump quer conversar com Lula. Menos o Zema e o Mateus Simões - que herdou do Zema uma arrogância que não é tradicional dos mineiros”, afirmou.

Um dos principais temas deste começo de campanha eleitoral, o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) tem recebido críticas, incluindo sobre o dialógo entre estado e Planalto na dívida que chega à 165 bilhões. “Como é que você não conversa com quem você deve? Se você estiver devendo a qualquer loja, vai conversar com o gerente. O governador do estado deve, naturalmente, dialogar com o presidente da República, independentemente da ideologia”, afirmou Guima.

Ao Estado de Minas, Mateus Simões (PSD) afirmou que o estado já pagou R$ 13 bilhões do débito, desde que ele e Zema assumiram o comando de Minas e cobrou do governo federal investimentos no estado. Ainda enfatizou que a dívida, que considerava "impagável" no passado, hoje está dentro da capacidade financeira do estado, embora ainda pressione as contas públicas. Para ele, uma eventual renegociação deve ser tratada diretamente em Brasília.  

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"Eu quero pagar. Só quero que eles recebam logo os ativos para me darem os descontos e que apliquem em Minas o valor das parcelas que estamos pagando. O mineiro paga compromisso, mas quer ver o dinheiro sendo usado onde ele é gerado. Não está certo pegar o dinheiro e levar para Brasília, como se em Minas Gerais não tivesse estrada federal para ser arrumada", criticou Simões durente o debate da Band, no últiom domingo (16/8).

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