O pré-candidato à Presidência da República do Novo, Romeu Zema, criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou busca e apreensão contra o ex-secretário de Segurança do Maranhão Raimundo Cutrim, apontado como fonte de uma reportagem sobre o ministro Flávio Dino. Em publicação nas redes sociais, Zema classificou a medida como “censura” e afirmou que jornalistas não devem se calar diante da operação.
“Alexandre de Moraes acabou de escancarar a censura no nosso país. Até quando que nós vamos assistir isso calado e aceitar esses absurdos?”, questionou. O ex-governador ressaltou ainda que vem denunciando o que chama de “intocáveis” e pediu apoio dos profissionais de imprensa.
“Eu faço um pedido para vocês jornalistas aqui do fundo do meu coração: não se calem sobre esse absurdo, essa aberração, essa censura de uma denúncia contra algo que é errado”, disparou.
Operação
A Polícia Federal cumpriu nessa terça-feira (11/8) mandados de busca e apreensão contra Cutrim e um advogado. A operação foi autorizada por Moraes a partir de um pedido da PF que recebeu aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação é um desdobramento do caso envolvendo o jornalista Luís Pablo, apontado pelos investigadores como responsável por publicações sobre Flávio Dino.
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Em março, Luís Pablo foi alvo de busca e apreensão, onde foram apreendidos o celular e o computador do jornalista. O material teria permitido aos investigadores reunir indícios relacionados a Cutrim e a um advogado ligado ao jornalista.
Segundo a PF, desde novembro de 2025 o jornalista passou a publicar conteúdos com fotos e dados do veículo funcional utilizado pelo ministro Flávio Dino. A corporação também afirmou que ele divulgou a informação de que o veículo, oficialmente pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão, vinha sendo utilizado por integrantes da família do ministro - o que a assessoria do ministro nega.
Uso de cargo público
Na investigação, a PF aponta que Cutrim teria usado o cargo público para obter informações e imagens dos veículos posteriormente divulgadas pelo jornalista. Os dados, segundo a corporação, teriam sido acessados em sistemas de acesso controlado.
A decisão de Moraes também menciona conversas entre o jornalista Luís Pablo e Diogo Lima, ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís. Os investigadores identificaram ainda uma transferência bancária de R$ 100 mil em benefício do jornalista.
De acordo com a decisão, o valor teria sido transferido por Diogo Lima para a conta de um terceiro, Danilo Cutrim Bezerra, como parte do pagamento pela compra de um imóvel pertencente a Danilo Cutrim e adquirido por Luís Pablo.
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"No contexto da relação entre LUÍS PABLO e DIOGO DINIZ LIMA, de acordo com a Polícia Federal, também foram identificadas trocas de mensagens em que se constatou uma transferência bancária, no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais) de DIOGO LIMA em favor de LUIS PABLO, mas depositada na conta de um terceiro, DANILO CUTRIM BEZERRA. O transferência seria para quitar parte do valor referente à compra de um imóvel pertencente a pessoa de DANILO CUTRIM, efetuada por LUIS Pablo" , diz trecho da decisão que autorizou as buscas.
