As pesquisas Genial/Quaest divulgadas entre 27 e 30 de julho traçam um retrato da corrida presidencial a cerca de dois meses das eleições e indicam que o país chega ao início da campanha dividido entre redutos eleitorais já consolidados e estados onde a disputa permanece aberta.

Os levantamentos foram realizados em 10 unidades da Federação – Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. No #PraEntender, série do Estado de Minas que explica temas relevantes do noticiário de forma didática, mostramos o que os resultados da Genial/Quaest revelam sobre a disputa pelo Palácio do Planalto, por que o mapa eleitoral brasileiro continua dividido entre diferentes regiões e qual é o papel de Minas Gerais na definição do próximo presidente da República.

Corrida eleitoral

Os levantamentos apontam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém ampla vantagem em parte do Norte e, sobretudo, do Nordeste. O petista lidera com folga na Bahia, no Ceará e em Pernambuco e também aparece à frente no Pará. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL) concentra seus melhores desempenhos no Sul e em parte do Sudeste, liderando no Paraná e aparecendo numericamente à frente em São Paulo e no Rio de Janeiro, embora nesses estados a disputa apresente diferenças menores do que as observadas nos redutos de Lula.

Em Goiás, a dinâmica é diferente. O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) aparece na liderança da corrida presidencial entre os eleitores do estado, superando Lula e Flávio Bolsonaro. O resultado reforça que lideranças regionais ainda podem exercer influência significativa sobre a disputa nacional, especialmente em estados onde possuem forte capital político. No entanto, em Minas Gerais, esse fenômeno não se repete: Romeu Zema é candidato à Presidência, mas não desponta como favorito entre os eleitores do próprio estado, ficando em terceiro lugar, com 12% das intenções de voto.

Eleitorado regionalizado

O cenário desenhado pela pesquisa evidencia uma tendência observada nas últimas eleições presidenciais: a consolidação de um eleitorado regionalizado. Enquanto Lula preserva maior apoio no Norte e no Nordeste, Flávio Bolsonaro reúne seus principais redutos no Sul e em parte do Sudeste. No Centro-Oeste, além da predominância de um eleitorado historicamente mais identificado com candidatos de direita, o peso do agronegócio contribui para fortalecer candidaturas alinhadas ao setor, como busca fazer o senador do PL.

Nesse contexto, Minas Gerais volta a ocupar posição central na disputa presidencial. Historicamente considerado o principal estado-pêndulo das eleições nacionais, o estado apresenta um dos cenários mais equilibrados do país. Segundo a Genial/Quaest, Lula registra 30% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 29%, diferença que configura empate técnico dentro da margem de erro.

Palanques em Minas

A relevância política de Minas Gerais vai além do tamanho do eleitorado. Desde a eleição de Getúlio Vargas, em 1950, todos os presidentes eleitos venceram também a disputa presidencial no estado. Por isso, o desempenho dos candidatos em Minas costuma ser tratado por analistas como um dos principais termômetros da eleição nacional.

Os resultados até aqui mostram que os dois principais candidatos ainda enfrentam o desafio de estruturar palanques estaduais competitivos em território mineiro. Lula conta com o deputado federal Patrus Ananias como candidato ao governo e com a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, na disputa pelo Senado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, ainda depende da definição das alianças locais.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Os levantamentos da Genial/Quaest foram realizados presencialmente entre 21 e 28 de julho, com mais de 10 mil eleitores entrevistados nos 10 estados pesquisados. As amostras e as margens de erro variam conforme cada unidade da Federação, com nível de confiança de 95%.

compartilhe