Como o boicote de menções nas redes pode travar o alcance de algoritmos
A tática de 'silêncio digital' realmente funciona para conter a entrega de conteúdo em grandes plataformas?
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O pedido do deputado André Janones para que seus apoiadores parem de mencionar o médico psiquiatra e escritor Augusto Cury nas redes sociais trouxe à tona um debate sobre estratégias digitais na política. A tática, conhecida como “silêncio digital”, parte do princípio de que o engajamento, mesmo que negativo, alimenta os algoritmos das plataformas e impulsiona a visibilidade de um adversário.
Janones deixou o Avante, partido de Cury, em março de 2026, e migrou para a Rede Sustentabilidade, o que adiciona uma camada de rivalidade política à estratégia.
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A discussão ganhou força após Cury registrar um crescimento nas pesquisas de intenção de voto para a corrida presidencial, saltando de 2% para 11% em uma semana, segundo pesquisa BTG/Nexus. A lógica por trás do boicote é simples: ao cortar o fluxo de menções, comentários e compartilhamentos, reduz-se o volume de dados que sinalizam ao sistema que aquele nome ou assunto é relevante, diminuindo seu alcance orgânico.
O que é o boicote de menções?
O boicote de menções é uma ação coordenada que busca diminuir a visibilidade de uma pessoa ou tema nas redes sociais. A estratégia consiste em privar o alvo de interações, que funcionam como combustível para os algoritmos que decidem qual conteúdo será mais distribuído.
Como os algoritmos reagem ao 'silêncio digital'?
Plataformas como Instagram, X (antigo Twitter) e TikTok usam redes sociais que priorizam publicações com alto volume de engajamento. Para esses sistemas, não há diferença entre um comentário de apoio ou uma crítica; ambas as interações são interpretadas como sinais de relevância. Cada menção, curtida ou compartilhamento informa ao algoritmo que o assunto interessa ao público.
Quando um grupo expressivo de usuários deixa de interagir com um perfil ou citar um nome, a quantidade de sinais enviados ao sistema cai drasticamente. Com menos dados sobre aquele tópico, o algoritmo entende que o interesse diminuiu e, como resultado, passa a entregar menos aquele conteúdo no feed de notícias e nas abas de recomendação.
Essa estratégia de boicote realmente funciona?
A eficácia do boicote digital não é garantida e depende de uma adesão em massa e muito bem organizada. A tática de contenção pode ser minada por diferentes fatores que fogem ao controle de quem a propõe. Entre os principais desafios, estão:
Apoiadores do alvo: A estratégia não impede que os próprios apoiadores do adversário e usuários neutros continuem a mencioná-lo, mantendo o fluxo de engajamento.
Mídia paga: Qualquer queda no alcance orgânico pode ser facilmente contornada com investimentos em anúncios e publicações patrocinadas.
Bolhas de informação: O “silêncio” pode funcionar dentro de um grupo específico, mas ter um impacto quase nulo no ecossistema digital mais amplo.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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*Estagiária sob supervisão do editor João Renato Faria