ELEIÇÕES 2026

A reviravolta de Michelle: por que ela cedeu e aceitou ajudar Flávio?

Após expor humilhação pública e romper com o enteado, ex-primeira-dama volta às gravações por "algo maior" e toma decisão drástica sobre o PL

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A reaproximação entre Michelle e Flávio Bolsonaro ganhou força nos últimos dias e já se traduz em atuação conjunta na campanha presidencial. Depois de um rompimento que expôs publicamente as divergências entre os dois, a ex-primeira-dama voltou a gravar ao lado do enteado e passou a pedir votos para sua candidatura ao Palácio do Planalto.

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Michelle também concentra esforços na própria disputa pelo Senado pelo Distrito Federal e mantém a rotina de cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. Interlocutores da campanha ouvidos pelo Correio Brasiliense afirmam que, neste momento, "ela está focada na candidatura e no marido". O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou, porém, que a legenda pediu autorização à Justiça para que outra pessoa possa assumir os cuidados médicos do ex-presidente e liberar a ex-primeira-dama para a campanha. 

 

A mudança de postura ocorre depois de semanas de tensão entre os dois. Uma fonte próxima a Michelle relatou ao Correio que, após o episódio em que afirmou ter sido "humilhada" e maltratada por Flávio, ela não queria aproximação com o senador, nem mesmo para apoiá-lo eleitoralmente. Segundo essa fonte, o pedido de desculpas feito pelo candidato à Presidência e, sobretudo, a preocupação com Bolsonaro foram decisivos para a retomada do contato. 

 

"Algo maior"

A avaliação entre aliados é de que uma eventual vitória de Flávio poderia criar condições políticas mais favoráveis para a defesa do ex-presidente, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Outra pessoa próxima a Michelle afirmou que ela estava magoada, mas que a desavença não seria permanente. "Ela compreendeu que é por algo maior", disse a fonte ao Correio, acrescentando que ela "ajudará e muito Flávio Bolsonaro com o eleitorado feminino".

A reconciliação teve participação de aliados próximos à ex-primeira-dama. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora Celina Leão (PP) atuaram nos bastidores para preservar o diálogo e evitar que a crise provocasse uma ruptura definitiva. As duas convenceram Michelle a permanecer no PL depois que ela deixou o comando nacional do PL Mulher. 

Ao Correio, Damares afirmou acompanhar "com muita alegria" a reaproximação e disse que não ficou surpresa com o desfecho. "A família Bolsonaro é unida por propósitos, por princípios e pelo amor incondicional ao Brasil", declarou. Para a senadora, Michelle é "uma mulher de Deus" e "uma força arrebatadora que arrasta multidões", enquanto Flávio "tem sido um gigante" na defesa das pautas do grupo. "Ver os dois caminhando juntos, alinhados e de mãos dadas, é a prova de que a nossa base está mais forte, madura e preparada do que nunca", afirmou.

A retomada avançou depois que Flávio pediu desculpas publicamente a Michelle, em julho. Ela aceitou o gesto e sinalizou disposição para voltar a atuar ao lado do enteado. O primeiro reencontro presencial ocorreu em agosto, durante gravações de material de campanha em Brasília. Na ocasião, Michelle afirmou que os dois haviam colocado "uma pedra" sobre o conflito.

Na quarta-feira (19/8), Michelle publicou um vídeo em que aparece ao lado de Flávio. Pelo "making of" da gravação que postou na conta no Instagram, o mal-estar com o filho 01 parece superado. Em vários momentos, ela e Flávio aparecem sorrindo e gargalhando com os erros ao falarem o roteiro. O clima é de descontração.

Ao Correio, Valdemar disse que a ex-primeira-dama "terá um papel fundamental na campanha" de Flávio. O líder da oposição no Congresso e candidato a deputado federal pelo PL-DF, Izalci Lucas, também celebrou a aproximação. "Sensacional. Ela está pedindo voto para o Flávio. Vamos ganhar no primeiro turno", disse.

Debates

Valdemar, aliás, defendeu a realização de debates entre Flávio e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o presidente do PL, o interesse dos eleitores é pelas propostas dos dois. "Se ele (Flávio) for a um debate antes, só para promover um cidadão que está trabalhando contra ele, não é vantagem. Acho que só deve ir contra o Lula. O que realmente interessa ao brasileiro é Flávio e Lula, os dois nomes que estarão frente a frente na disputa pela Presidência", disse, para acrescentar: "Não vejo vantagem em participar de debates que sirvam apenas para promover outros candidatos."

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*Estagiária sob supervisão de Fabio Grecchi

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