O governador Mateus Simões (PSD) não acredita no sucesso da articulação para construir uma possível candidatura do ex-secretário Marcelo Aro (PP) ao governo de Minas Gerais. Para ele, o movimento é uma tentativa de Aro criar pressão e, se consumado, seria “uma ruptura sem precedentes na política mineira”.

“O Marcelo está incomodado porque o cenário do Senado está apertado. Eu também fiquei incomodado com a concorrência para o governo do estado, mas faz parte do processo. (...) Acho que ele [Aro] tem tentado fazer uma construção de pressão para rearranjo, mas está muito em cima da hora, difícil de rearranjar as chapas a essa altura”, avaliou o governador, em entrevista ao Estado de Minas nessa terça-feira (28/7).

Simões negou veementemente que vai exonerar o atual secretário de Governo, Castellar Neto, e outros cerca de 500 servidores comissionados ligados a Aro, no que seria uma reação à articulação. Ele chamou de “conversa de maluco” as informações que saíram na imprensa sobre as supostas demissões e disse que Castellar é “peça central” do governo, com quem trabalha diariamente.

Aro candidato ao governo?

Aro, que era o único pré-candidato ao Senado confirmado na chapa de Simões, viu o PSD filiar, em março, o senador Carlos Viana, que tentará a reeleição. O movimento desagradou o ex-secretário que, além de acumular desentendimentos com o parlamentar, considera que não há espaço para a dobradinha, já que haverá também a candidatura de Domingos Sávio (PL) no campo da direita, o que dividiria o eleitorado. Diante da insatisfação, Aro virou possível candidato ao governo da Federação União-PP e pode até ganhar o apoio do PL do senador Flávio Bolsonaro, que o vê como alternativa caso o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) desista de concorrer ao Executivo estadual.

Para o governador, tal movimentação “deixaria a política mineira escandalizada”. “Isso não combina com o ambiente de realidade. Há quatro anos no governo, como é que isso pode ser cogitado por alguém? Abandonar, não estou falando só da minha candidatura. E Zema?”, questionou, endossando a fala do ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli (PL), que disse considerar “surreal” uma candidatura de Aro. Pré-candidato à Presidência da República, o ex-governador Romeu Zema (Novo) também tem proximidade histórica a Aro e conta com ele na campanha.

“Eu não acredito que ele faria um movimento desse, porque isso significaria abandonar todo o grupo político que esteve ao lado dele. E nem é para um projeto vitorioso garantido, não. Ele está indo, seria ir para um projeto cheio de gente ferida no caminho”, completou, em alusão a Medioli e o ex-presidente da Fiemg Flávio Roscoe, filiados ao PL como possíveis candidatos ao governo, além do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), “que estaria sendo rifado, que ainda não manifestou que não vai ser candidato”.

Apesar da situação incômoda, Simões relatou que não se sente traído pela articulação e tenta “manter baixa a expectativa sobre todas as pessoas”, mas espera que os compromissos sejam cumpridos. Também contou que nunca conversou com Aro sobre essa possibilidade, apesar de se encontrar com ele quase todos os dias: “Não converso com ele sobre ruptura hora nenhuma. Esse assunto para mim não existe, e da minha parte vai continuar não existindo. Ele nunca falou para mim que esteja fazendo as articulações. Aro é meu candidato ao Senado pelo PP, como acordado há quatro anos”.

De qualquer maneira, o governador tem tentado convencer o PSD a abrir mão da candidatura de Viana, mas reconhece a dificuldade em ter sucesso. Uma possibilidade ventilada foi tentar negociar a vaga de vice, garantida ao Novo, a Aro, mas o ex-secretário não se interessou. “Se for possível diminuir o número de candidatos a senador, seria ótimo, mas o PSD não parece estar disposto a recuar com Viana. Estive lá, conversei com o Kassab [presidente do PSD]. Ele [Aro] também não parece estar disposto a mudar de posição dentro da chapa, não parece estar disposto a ir para a posição de vice. Poderia ser uma conversa com o Novo”.

Perguntado sobre o que prevê como desfecho da novela, Simões disse acreditar que “palavra não faz curva”, lógica aprendida com o avô, sugerindo que Aro terá que ceder e se candidatar ao Senado ao lado de Viana. “Todo mundo tem que cumprir os compromissos que foram assumidos. Tem sacrifício de todos os lados. E isso significa eu fazer os meus sacrifícios que estão sendo feitos ao longo de meses para acomodar todos os partidos e ele também fazer os dele. Cada partido fazer o seu, porque política é isso. Compromisso assumido, a gente faz as renúncias necessárias para que a palavra da gente tenha valor no ambiente político”, afirmou.

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Perder a federação União-PP seria um desastre para a campanha de Simões, que ambicionava unir todo o campo da direita em torno de sua candidatura. Se algumas alianças, como Republicanos e PL, pareciam mais distantes, a União Progressista era dada como certa na campanha pela reeleição estadual. Em março, o próprio Marcelo Aro garantiu ao Estado de Minas que o apoio estava selado, em meio a rumores de que a federação poderia embarcar em uma possível candidatura de Rodrigo Pacheco (PSB) ao governo. Até 3 de agosto, dia da convenção estadual da federação União-PP, o caminho precisa ser definido.

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