O ex-governador Romeu Zema (Novo) disse nesta sexta-feira (10/7) que continuou doando o próprio salário durante o segundo mandato à frente do Governo de Minas, apesar de, em 2023, o Palácio Tiradentes ter informado que ele não havia assumido compromisso público de manter a prática após a reeleição.

Segundo Zema, os recursos foram destinados a uma instituição que realiza cirurgias oftalmológicas em pessoas carentes e toda a documentação das doações estaria disponível em sua declaração de imposto de renda. 

Ao ser questionado sobre a falta de divulgação das doações no segundo mandato, diferentemente do que ocorreu entre 2019 e 2022, Zema ponderou que os repasses continuaram sendo realizados. Segundo o ex-governador, parte dos valores permaneceu acumulada antes de ser transferida porque a instituição beneficiada precisava reunir recursos para a compra de um micro-ônibus. A declaração foi dada durante entrevista coletiva após visita ao tradicional Café Nice, no Centro de Belo Horizonte.

"Um período ficou acumulando porque eu doei para uma instituição que faz cirurgias nos olhos de pessoas carentes, mas está tudo transparente", afirmou. Ao defender a veracidade da informação, acrescentou: "Você acha que eu vou falar alguma coisa que eu não fiz? Até hoje eu nunca menti. Não vai ser a primeira vez agora, depois de velho, não".

O que dizia o governo

Durante o primeiro mandato, Zema doou o salário de governador, promessa feita ainda na campanha eleitoral de 2018. A prática foi mantida até o fim da primeira gestão, quando, segundo o governo estadual, o pagamento dos servidores voltou a ser regularizado.

Em 2023, entretanto, ao encaminhar à Assembleia Legislativa o projeto que elevou o subsídio do governador de R$ 10,5 mil para R$ 41,8 mil de forma escalonada, o Governo de Minas informou, na época, que "no segundo mandato, não há compromisso público de doação do salário pelo governador".

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Na mesma ocasião, a administração estadual afirmou que Zema havia decidido manter as doações apenas até o encerramento do primeiro mandato e justificou o reajuste salarial como uma recomposição inflacionária, tomando como referência os subsídios de desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e de deputados estaduais.

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