O pastor Márcio Poncio foi preso nesta quinta-feira (2/7) pela Polícia Federal (PF) durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao jogo do bicho e possíveis desdobramentos no poder público do Rio de Janeiro.

A ação também teve como alvos o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam presos.

Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), são cumpridos três mandados de prisão e 14 de busca e apreensão. Além disso, o STF determinou o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de R$ 22 milhões. Poncio foi localizado e preso em um flat na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, de frente para a praia, segundo informações do g1

Segundo a Polícia Federal, a nova etapa da operação busca aprofundar a investigação sobre indícios de lavagem de dinheiro praticada por Adilsinho, apontado como líder da atual cúpula do jogo do bicho no estado, além de apurar uma possível ramificação do esquema envolvendo integrantes dos poderes Executivo e Legislativo fluminenses.

"A atual fase da investigação foi deflagrada a partir da análise de documentos apreendidos que revelaram uma contabilidade paralela voltada à lavagem de capitais, além de registros de supostos pagamentos indevidos e doações eleitorais irregulares", informou a PF, em nota.

A Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025 para investigar o suposto vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais contra o Comando Vermelho (CV). De acordo com a PF, o compartilhamento de dados comprometeu ações policiais e beneficiou investigados ligados à facção criminosa. O caso passou a integrar o contexto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, que trata das políticas de segurança pública no Rio de Janeiro.

Operações

Na primeira fase da operação, deflagrada em dezembro de 2025, o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi apontado como responsável por repassar informações sigilosas da Operação Zargun, realizada em setembro daquele ano contra o Comando Vermelho.

Segundo a investigação, o principal beneficiado teria sido o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção e preso na Operação Zargun.

Ainda conforme a PF, o vazamento permitiu a destruição ou ocultação de provas, prejudicando a atuação policial. Bacellar chegou a ser preso preventivamente por decisão de Alexandre de Moraes, mas foi solto dias depois por decisão tomada em plenário da Alerj, mediante o cumprimento de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

A segunda fase da investigação ampliou o foco sobre a origem dos vazamentos e resultou na prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A Polícia Federal sustenta que o magistrado teria repassado informações sigilosas a Bacellar, que, posteriormente, as transmitiu a TH Joias. Os investigadores afirmam ter reunido mensagens, registros de ligações e outros indícios de proximidade entre o desembargador e o então deputado.

Em março deste ano, durante a terceira fase da operação, Bacellar voltou a ser preso, desta vez em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A nova prisão ocorreu após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no caso conhecido como escândalo da Ceperj, e depois de denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Nessa etapa, a PF passou a relacionar diretamente as investigações à ADPF 635, apontando que os fatos apurados poderiam comprometer as ações do Estado no enfrentamento ao crime organizado.

A denúncia da PGR inclui, além de Bacellar, TH Joias, o desembargador Macário Júdice Neto e outros investigados. Segundo o órgão, há indícios da existência de uma cadeia de proteção institucional ao crime organizado.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Na quarta fase, deflagrada em maio deste ano, a Polícia Federal prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), suspeito de comandar um esquema de fraudes em contratos para aquisição de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma, no âmbito da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc).

compartilhe