Os encontros promovidos pelo Consulado dos Estados Unidos em São Paulo com influenciadores ligados à ultradireita são lidos por integrantes do governo e por interlocutores do Palácio do Planalto como mais um movimento da direita internacional em favor da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
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A iniciativa ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington e a uma série de gestos do governo Donald Trump considerados, nos bastidores, como tentativas de influenciar o debate eleitoral brasileiro.
Nesse contexto, o Consulado dos EUA tem convidado influenciadores conhecidos por fazer oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para participar de encontros em grupos reduzidos sobre "liberdade de expressão e ambiente digital".
Entre os convidados está Maria Fernanda Schmidt, apresentadora do canal Brasil Paralelo. Em publicação feita no Instagram na última quinta-feira (23/7), ela informou que participou de uma dessas reuniões promovidas pela representação diplomática norte-americana.
"Foi uma excelente oportunidade para compartilhar com os diplomatas os desafios enfrentados por influenciadores, jornalistas e produtores de conteúdo no ambiente digital, em um diálogo enriquecedor sobre os rumos da liberdade de expressão no Brasil", escreveu a influenciadora, que costuma publicar conteúdos críticos ao governo Lula.
No YouTube, o jornalista Leandro Demori afirmou que outros influenciadores identificados com a ultradireita também receberam convites para participar de novas rodadas de conversa no Consulado dos Estados Unidos em São Paulo.
Na publicação, Maria Fernanda aparece ao lado de outros influenciadores bolsonaristas que, segundo ela, também participaram do encontro com representantes diplomáticos do governo Trump.
Na fotografia estão, entre outros, Leandro Narloch, Rafael Ferri e Penélope Nova. Todos integram o ecossistema digital da ultradireita, que atua em defesa da candidatura de Flávio Bolsonaro em diferentes nichos das redes sociais e também difunde conteúdos críticos ao governo Lula.
Série de interferências
Os encontros organizados pelo Consulado dos Estados Unidos, sempre com grupos restritos de influenciadores da ultradireita, ocorrem em meio à escalada de iniciativas do governo Donald Trump voltadas ao cenário político brasileiro.
Reportagem da Agência Pública revelou que a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil procurou o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), para viabilizar uma agenda com Riley Bernes e Samuel Samson, integrantes do Departamento de Estado dos EUA, comandado por Marco Rubio.
Os dois tiveram os pedidos de visto negados pelo Consulado do Brasil em Washington após manifestarem a intenção de se reunir com aliados de Flávio Bolsonaro para difundir, mais uma vez, a narrativa de fraude nas urnas eletrônicas brasileiras.
Segundo o Itamaraty, os representantes do governo Trump justificaram a viagem afirmando que pretendiam realizar contatos relacionados ao processo eleitoral brasileiro e promover debates sobre liberdade de expressão.
"Membros do Governo do Brasil também estão perseguindo politicamente um ex-presidente, sua família e seus seguidores, o que está contribuindo para o deliberado colapso do Estado de Direito no Brasil, para a intimidação motivada politicamente naquele país e para violações de direitos humanos’, diz o documento, que reproduz a narrativa difundida reiteradamente nas redes sociais por integrantes do clã Bolsonaro.