Kalil está 'machucado' com Lula e não fará campanha para ele, diz Lupi
Presidente nacional do PDT diz que decisão de ex-prefeito será respeitada, mas que partido no estado vai apoiar reeleição do presidente
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O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou que o ex-prefeito de Belo Horizonte e candidato a governador, Alexandre Kalil (PDT), não fará campanha para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais e está “muito machucado” com ele após divergências sobre a escolha do palanque do petista no estado. Segundo Lupi, apesar da decisão de Kalil, cuja candidatura será homologada neste domingo pela legenda, o PDT mineiro seguirá apoiando Lula. A declaração foi dada em entrevista ao "SBT News" nesta quinta-feira (23/7).
De acordo com o dirigente, o desgaste teve início quando Lula priorizou o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB) para disputar o governo mineiro, o que acabou não se concretizando. "Primeiramente, o presidente Lula tinha falado isso pra mim, logo que nós filiamos o Kalil, que tinha como prioridade a candidatura do ex-presidente do Senado, o Pacheco. Ele insistiu muito nesse processo com o Pacheco. Isso deixou, naturalmente, legitimamente, o nosso candidato Kalil, que foi prefeito duas vezes em BH, já tinha sido candidato a governador na última eleição, inclusive apoiando o Lula, muito machucado", afirmou.
Nas eleições de 2022, Kalil disputou o governo de Minas, tendo como vice em sua chapa o então deputado estadual André Quintão (PT), mas foi derrotado no primeiro turno por Romeu Zema (Novo), que disputava a reeleição.
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Concentrado na própria campanha
Ainda de acordo com o dirigente, a frustração evoluiu ao longo das negociações. "Isso foi desenvolvendo um processo de incompreensão múltipla", afirmou, ao relatar a posição de Kalil. De acordo com ele, em função disso o ex-prefeito de BH decidiu concentrar esforços apenas na própria candidatura. "Ele diz assim: 'só vou fazer a minha campanha para o governador'", relatou Lupi.
O presidente do PDT confirmou que a legenda lançará oficialmente a candidatura de Kalil neste domingo (26/7) e destacou a divisão de estratégias no estado. "O Kalil vai ser candidato agora a governador de Minas Gerais, nós vamos lançar o nome dele domingo, eu vou estar lá, o PDT vai fazer a campanha do Lula em Minas Gerais e o Kalil vai fazer só a campanha dele, pronto, porque o candidato do Lula em Minas Gerais vai ser o Patrus", afirmou, referindo-se ao deputado federal Patrus Ananias (PT), escolhido pelo partido nesta semana para ser o candidato a governador.
Lupi reconheceu dificuldades na tentativa de construir uma aliança mais ampla e admitiu frustração com o resultado das articulações. "Tentei de tudo fazer essa aliança, me considero até um pouco fracassado pelo que eu não consegui lá, mas é a vida. Com certeza, no segundo turno vamos estar juntos", declarou.
Apesar do impasse, o dirigente relativizou o impacto político e citou episódios históricos para ilustrar que divergências são comuns e lembrou as eleições de 1989, quando Leonel Brizola, fundador do PDT, apoiou Lula no segundo turno.
Segundo Lupi, Kalil atravessa um momento de distanciamento político. "Ele não quer fazer campanha para o presidente e ninguém. Eu não posso impor ninguém a fazer aquilo que não quer", disse. Ainda assim, reforçou o compromisso partidário com a campanha nacional. "Agora nós, do PDT, temos o compromisso claro de, com todos os candidatos a deputados de Minas e do Brasil, ao final, vamos fazer a campanha para o Lula."
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O presidente do partido também destacou que a decisão de Kalil será respeitada. "O Kalil pediu que não fizesse a campanha de ninguém. Vai ficar nisso e vai fazer só a campanha dele", destacou.