Flávio Bolsonaro admite que advogou para empresa do ecossistema Master
Escritório do presidenciável emitiu notas de R$ 1,5 milhão, mas dois terços foram cancelados
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, admitiu que advogou para a empresa Contábil Correa, envolta no ecossistema do Banco Master pela ligação direta com um empreendimento apontado como fachada usada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Flávio publicou vídeo em que se posiciona após o "Metrópoles" revelar uma nota fiscal de R$ 500 mil do seu escritório de advocacia por serviços prestados à Contábil Correa. Ele confirmou que advogou para a empresa, que tem o contador Rogério Lourenço Novo como único sócio.
Outras duas notas no mesmo valor foram emitidas por serviços prestados à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., mas canceladas. A Copenhagen é uma das 10 empresas que mais receberam dinheiro do Master, tendo obtido R$ 58 milhões. Fundada em novembro de 2024, com capital de apenas R$ 40, recebeu aportes que totalizaram R$ 11,2 milhões de Vorcaro logo depois da abertura.
Dono da Contábil Correa, Rogério Lourenço Novo aparece como único diretor responsável pela Copenhagen, da qual diz ser dono. A Copenhagen não tem site e está registrada no mesmo endereço da Contábil Correa, um prédio comercial em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, segundo consta na Receita Federal. No papel, ela pertence ao fundo de investimentos Estônia, administrado pela Trustee DTVM, que gere fundos. A última disse que não tinha ingerência sobre relações comerciais da Copenhagen.
Ao "Metrópoles", Rogério Lourenço Novo relatou que contratou o escritório de Flávio para prestar serviços "aos clientes do seu escritório de contabilidade", a Contábil Correa, mas disse não se lembrar para quem ou o que foi feito exatamente, afirmando que conta com mais de 200 clientes.
Flávio Bolsonaro se posiciona
Em nota, ele confirmou que prestou "serviços de assessoria jurídica" à Contábil Correa, mas disse não ter conhecimento sobre qualquer relação entre a empresa e o Banco Master. O mesmo em relação à Copenhagen.
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"Em determinada ocasião, fui consultado sobre a possibilidade de prestar serviços a uma cliente da BR Global [nome fantasia da Contábil Correa], a Copenhagen Assessoria. Apesar da consulta, a contratação não avançou, não tendo o meu escritório recebido qualquer valor da Copenhagen Assessoria, razão pela qual as notas fiscais foram canceladas", explicou Flávio Bolsonaro.
As duas notas fiscais canceladas com a Copenhagen são de 7 de abril de 2025, enquanto a efetivada com a Contábil Correa é de 9 de abril de 2025.
Depois, em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio subiu o tom e chamou de “criminosa” a reportagem do "Metrópoles", por supostamente “marginalizar a advocacia”.
"Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios, tudo certo, relação completamente legal e privada. E em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para esta empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por Vorcaro para fazer pagamentos para algumas pessoas. Não foi o meu caso", disse.
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Flávio ainda sugeriu que o vazamento partiu do uso eleitoral da máquina pública. "Como não sou investigado e meus dados são sigilosos, não poderiam estar em nenhuma investigação formal. Recai a suspeita de que órgãos governamentais, com fins eleitoreiros, tenham vazado dados protegidos por sigilo fiscal à imprensa", disse, na nota.